Grupo é investigado após cobranças de até R$ 8 mil por serviços de dedetização em Boa Vista


A suspeita é de que os consumidores eram induzidos ao erro durante a contratação (Foto: PCRR)

A Polícia Civil de Roraima investiga cinco homens suspeitos de aplicar golpes durante a oferta de serviços de controle de pragas urbanas, conhecidos popularmente como dedetização. Segundo a Delegacia de Defesa do Consumidor (DDCON), as cobranças chegavam a até R$ 8 mil após a execução dos serviços, valor muito superior ao apresentado inicialmente aos clientes.

De acordo com as investigações, o grupo percorria bairros residenciais, comércios e hotéis oferecendo serviços por preços considerados atrativos. Após a conclusão do trabalho, porém, os suspeitos informavam que teriam utilizado uma quantidade muito maior de produto do que a prevista inicialmente, aumentando significativamente o valor da cobrança.

A Polícia Civil identificou cinco investigados e instaurou inquérito para apurar os crimes de associação criminosa, infrações contra as relações de consumo e crime ambiental.

Segundo o delegado Rodrigo Gomides, titular da DDCON, as vítimas relatam que os serviços eram apresentados com a informação de que seriam utilizados cerca de dois litros de produto. Após a aplicação, entretanto, os prestadores alegavam ter usado entre 14 e 20 litros, elevando o valor final cobrado.

As apurações apontam que as quantidades informadas seriam incompatíveis com aplicações convencionais realizadas em residências e estabelecimentos comerciais. A suspeita é de que os consumidores eram induzidos ao erro durante a contratação.

Em um dos casos registrados pela Polícia Civil, a cobrança chegou a R$ 8 mil.

Retorno ao estado

As investigações indicam que o grupo já havia atuado em Roraima em setembro de 2025. Na época, foram registrados quatro boletins de ocorrência relacionados à mesma prática, sendo três em Boa Vista e um em Alto Alegre.

Após as primeiras denúncias, os suspeitos deixaram o estado antes da conclusão das diligências. Na semana passada, contudo, a Polícia Civil recebeu informações de que eles haviam retornado a Boa Vista e retomado a oferta dos serviços.

Durante as investigações, um dos suspeitos foi localizado e conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos. Em seguida, policiais civis e equipes da Vigilância Sanitária Municipal realizaram diligências no imóvel onde os investigados estavam hospedados.

No local, foram apreendidos produtos químicos, uniformes utilizados nos atendimentos, recibos e documentos considerados importantes para a investigação.

Os cinco homens foram ouvidos e liberados. Conforme a Polícia Civil, não havia situação de flagrante que justificasse a prisão naquele momento.

Suspeita de crime ambiental

Além das possíveis irregularidades nas cobranças, o inquérito também apura crime ambiental relacionado ao armazenamento e descarte de produtos químicos.

Segundo a investigação, os suspeitos teriam informado que enterravam embalagens vazias dos produtos utilizados, prática que contraria as normas de descarte previstas na legislação ambiental.

Casos semelhantes em outros estados

A Polícia Civil informou que encontrou registros de ocorrências semelhantes atribuídas ao mesmo grupo em estados como Acre, Rondônia e Mato Grosso.

As investigações apontam ainda que há registros da suposta atuação do grupo desde 2021. Entre os elementos analisados pelos investigadores está a utilização de um mesmo número de telefone identificado em ocorrências registradas em diferentes estados.

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