Nova crise?
Aliados admitem que nova taxação anunciada por Trump criou cenário desfavorável para o senador que reagiu com carta ao governo dos EUA
Petistas têm associado taxação americana ao encontro do senador com Donald Trump (Foto: Bruno Peres/Agência Brasil)
O anúncio de uma nova taxação dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros acendeu um sinal de alerta dentro do PL. Nos bastidores, integrantes do partido já avaliam que o principal prejudicado politicamente pela medida pode ser o senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado, atualmente, como o principal nome da direita para a disputa presidencial que se aproxima.
Desde que a decisão do presidente Donald Trump veio a público, na noite da última segunda-feira (1º), dirigentes e aliados do senador passaram a discutir estratégias para minimizar os impactos da medida. O partido chegou a promover reuniões com comunicadores e estrategistas na tentativa de traçar os próximos passos e minimizar o desgaste. Acontece que o assunto já começou a ser explorado pelos adversários políticos que associam a taxação à recente conversa de Flávio com o presidente americano.
SAIBA MAIS:
No dia seguinte à notícia, o PT passou a relacionar o assunto à atuação da família Bolsonaro. Durante agenda em Goiás, na última terça-feira (2/6), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que a medida prejudica a população brasileira e acusou os adversários de atuarem contra os interesses nacionais no exterior. “Eles não veem que não estão prejudicando Lula, estão prejudicando todo o povo brasileiro”, declarou o petista durante a inauguração da nova sede do Instituto Federal Goiano, em Catalão.
No mesmo discurso, Lula elevou o tom ao classificar integrantes da família Bolsonaro como “vendilhões da pátria”. E acrescentou: “Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores”, afirmou.
VEJA AINDA:
O discurso ganhou força porque o anúncio da taxação ocorreu pouco mais de uma semana após a viagem de Flávio aos Estados Unidos. Com isso, os adversários do senador passaram a sustentar que ele teria colaborado para elaboração de medidas prejudiciais ao Brasil na tentativa de enfraquecer o projeto de reeleição do presidente.
Reação
Nos bastidores de Brasília, aliados de Flávio admitem reservadamente o potencial desgaste. Até a semana passada, a principal pauta envolvendo a aproximação entre bolsonaristas e autoridades norte-americanas era a classificação das facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos. O tema, considerado favorável ao discurso do senador, foi explorado como resultado de uma articulação direta de Flávio junto ao presidente Trump. O que o senador busca, agora, é afastar a mesma percepção sobre a taxação.
Por isso, Flávio Bolsonaro reagiu rapidamente. Na última terça-feira, o senador informou ter enviado uma carta ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, solicitando que o governo norte-americano não imponha tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
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No documento, o parlamentar argumenta que o Brasil atravessa um período de deterioração fiscal e econômica e afirma que a medida causaria prejuízos à população. Segundo ele, a carta formaliza um pedido que já havia sido feito pessoalmente às autoridades norte-americanas no setindo de que as tarifas não fossem aplicadas.
Na outra ponta, o presidente Lula rememora a comemoração registrada por Flávio Bolsonaro em seu perfil no X, antigo Twitter, à época em que Trump a primeira taxação aos produtos brasileiros. No evento de ontem em Goiás, Lula disse que Flávio mente ao dizer que havia pedido para o presidente para não taxar o Brasil e lembrou do primeiro episódio em 2025.
“O filho dele [do ex-presidente Jair Bolsonaro], que hoje foi para a televisão dizer que não disse nada, eu vou repetir: no dia 9 de julho de 2025, no dia que o Trump nos puniu, ele disse: ‘Obrigado Trump, faça o Brasil livre de novo’”, leu o presidente, em evento em Catalão.
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De volta à carta escrita por Flávio, apesar da manifestação contrária à taxação, o texto enviado por Flávio começa com um agradecimento à decisão dos Estados Unidos de incluir as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) na lista de organizações terroristas, tema que vinha sendo tratado como uma das principais bandeiras da agenda interenacional do senador.