A CPI foi criada após denúncias e informações que passaram a circular entre parlamentares sobre movimentações financeiras consideradas atípicas
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Assembleia Legislativa do Maranhão para apurar supostas irregularidades envolvendo o vice-governador Felipe Camarão (PT), Thiago Brasil Arruda e Alexandre Guimarães Nascimento, realizou mais uma reunião nesta terça-feira (2). No entanto, a análise foi adiada após um pedido de vista apresentado pelo deputado Rodrigo Lago (PSB).
Durante o encontro, que teve debates acalorados, estava prevista a apreciação do Requerimento nº 10/2026, além de outras medidas consideradas importantes para o avanço das investigações. Com o pedido de vista, a votação dos documentos ficou para a próxima reunião da comissão.
A CPI foi criada após denúncias e informações que passaram a circular entre parlamentares sobre movimentações financeiras consideradas atípicas. Parte das suspeitas tem como base dados atribuídos a relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontariam operações bancárias fora do padrão, incluindo transferências via Pix.
Relator da comissão, o deputado Yglésio Moyses (PRD) apresentou documentos e informações relacionados a movimentações financeiras, despesas e pagamentos de passagens. Segundo ele, o material debatido já foi divulgado anteriormente pela imprensa.
De acordo com o parlamentar, o objetivo da CPI é esclarecer a origem e a finalidade das movimentações financeiras que aparecem nas investigações conduzidas pelo Ministério Público.
Já o deputado Carlos Lula (PSB) defendeu cautela na condução dos trabalhos. Segundo ele, o sigilo das investigações ainda deve ser respeitado e qualquer deliberação deve ocorrer somente após a análise da documentação solicitada pela comissão.
O deputado Rodrigo Lago também questionou a legalidade da utilização de documentos que estariam protegidos por sigilo. Ele argumentou que eventuais quebras indevidas de sigilo podem gerar responsabilização dos integrantes da CPI e afirmou que o pedido de vista foi necessário para uma análise mais detalhada dos requerimentos.
Por outro lado, a deputada Mical Damasceno (Republicanos) destacou que a comissão tem a função de investigar os fatos apresentados e garantir transparência à sociedade. Segundo ela, o trabalho da CPI é justamente verificar se as pessoas citadas nas denúncias possuem ou não envolvimento com as irregularidades apontadas.
Com o adiamento da votação, a expectativa é que os requerimentos de números 10, 11, 12, 13, 14 e 15 sejam analisados na próxima reunião da comissão, marcada para a próxima terça-feira (9).