Filho de Janary Nunes, Rudá relembra legado do pai ex-governador – Diário do Amapá


 

Douglas Lima
Editor

 

Nesta segunda-feira, 1 de junho, data em que o primeiro governador do então Território Federal do Amapá, Janary Gentil Nunes, completaria 114 anos de nascimento, o filho dele, Rudá Nunes, participou do programa ‘LuizMeloEntrevista’ (Diário FM 90,9) para relembrar a trajetória do pai e discutir a importância da preservação da memória histórica amapaense.

 

 

Rudá recordou aspectos da vida familiar e da carreira pública de Janary, considerado uma das figuras mais influentes da formação administrativa e institucional do Amapá. Segundo ele, a data de 1 de junho permanece viva na cultura popular do estado, especialmente por meio dos tradicionais ladrões de Marabaixo que homenageiam o ex-governador.

 

“O dia primeiro de junho foi imortalizado na cultura amapaense. Os marabaixeiros cantavam versos em homenagem ao governador, e isso faz parte da nossa história”, afirmou.

 

Rudá destacou que a relação entre Janary Nunes e as comunidades tradicionais sempre esteve presente nas manifestações culturais da época. Entre os versos lembrados durante a entrevista estão cantigas que fazem referência ao desenvolvimento urbano de Macapá, às obras públicas e à presença do governador nas celebrações populares.

 

Ao relembrar a trajetória do pai, ele ressaltou que Janary assumiu o comando do então Território Federal do Amapá aos 31 anos de idade, após convite do então presidente Getúlio Vargas. Segundo ele, a aproximação entre os dois ocorreu ainda durante a carreira militar de Janary, quando servia no Exército Brasileiro: “Ele tinha apenas 31 anos quando assumiu o governo do território. Era um homem muito jovem, mas já tinha grande prestígio e responsabilidade”.

 

 

Sobre a recente inauguração do Parque Residência Governador Janary Nunes, entregue pelo Governo do Estado, Rudá confessou ter se emocionado durante a cerimônia realizada no antigo local onde o pai viveu parte da sua história familiar. “Ali é um lugar muito simbólico para nossa família. Meu pai chamava aquela residência de seu ‘solo sagrado’. Foi um momento de muita emoção representar a família naquela inauguração”, relatou.

 

Outro tema abordado foi a criação do Instituto Janary Gentil Nunes, iniciativa que busca reunir documentos, livros, fotografias, móveis e objetos pessoais relacionados à vida pública e privada do ex-governador. O instituto já funciona em uma residência histórica localizada na Vila Amazonas, em Santana, e deve receber futuramente exposições permanentes abertas ao público.

 

Entre as obras preservadas estão livros escritos pelo próprio Janary Nunes, como ‘Confiança no Amapá’, lançado originalmente em 1962, além de publicações sobre a bandeira nacional, o desenvolvimento da Amazônia e a exploração de manganês no território/estado.

 

Rudá defendeu a valorização da memória histórica do Amapá e a necessidade de registrar fatos, personagens e acontecimentos que contribuíram para a construção do estado. “Precisamos contar a história do Amapá de forma correta, preservando documentos, registros e reconhecendo a contribuição de quem participou desse processo”, afirmou.

 

Nascido em 1 de junho de 1912, Janary Gentil Nunes governou o Território Federal do Amapá entre 1944 e 1956, período marcado pela implantação de estruturas administrativas, obras de infraestrutura, escolas, hospitais e projetos considerados fundamentais para a consolidação do território. Posteriormente, também exerceu cargos de destaque na administração federal, incluindo a presidência da Petrobras e funções diplomáticas.

 



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