O Ministério Público de Roraima (MPRR) denunciou 12 pessoas investigadas na Operação Geminus pelos crimes de organização criminosa, associação para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A ação penal foi ajuizada nesta sexta-feira (22) pela Promotoria de Justiça Especializada em Tráfico de Drogas, Crimes Decorrentes de Organizações Criminosas e Crimes de Lavagem de Capitais.
A Operação Geminus foi deflagrada pela Polícia Civil em março deste ano e apura a atuação de um grupo suspeito de integrar uma estrutura criminosa voltada ao tráfico de drogas e à ocultação de recursos ilícitos em Roraima.
De acordo com a denúncia, a organização atuava de forma estruturada e permanente desde, pelo menos, 2024, com divisão de funções entre os integrantes. As investigações apontam que os irmãos identificados pelas iniciais N.D.F.M. e G.F.M. seriam os líderes do grupo, responsáveis pela coordenação das atividades, articulação dos membros, disponibilização de imóveis, veículos e recursos financeiros, além da movimentação e ocultação de dinheiro proveniente do tráfico.
Segundo o MPRR, um imóvel de alto padrão localizado no bairro Caranã, em Boa Vista, era utilizado como depósito de drogas. No local, a Polícia Civil apreendeu cerca de 270 quilos de skunk, distribuídos em 260 tabletes. Conforme as investigações, o entorpecente estava escondido entre sacos de estopa e estrume bovino, estratégia utilizada para dificultar a identificação do odor da droga.
As apurações indicam ainda que a droga chegava ao estado por via aérea, utilizando pistas clandestinas em Roraima. A partir daí, integrantes da organização seriam responsáveis pelo armazenamento, transporte e distribuição da carga ilícita.






A denúncia também aponta que a esposa de um dos investigados, identificada pelas iniciais T.S.L.S., teria papel estratégico no núcleo patrimonial e logístico do grupo. Conforme o Ministério Público, ela administrava o imóvel utilizado como “mocó” para armazenamento da droga, controlava o acesso ao local e teria utilizado uma empresa de fachada para movimentação de valores ilícitos, incluindo R$ 510 mil relacionados à carga apreendida.
Ainda segundo as investigações, imóveis alugados por meio de plataformas digitais eram usados como pontos de encontro e apoio operacional da organização criminosa.
O Ministério Público afirma que foram identificadas movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada dos investigados. O grupo teria movimentado aproximadamente R$ 77,8 milhões por meio de empresas de fachada, contas de terceiros, transferências fracionadas e aquisição de bens em nome de terceiros, com o objetivo de ocultar a origem ilícita dos recursos.


O promotor de Justiça Carlos Alberto Melotto destacou a relevância da denúncia para o combate ao crime organizado no estado.
“Os elementos reunidos nas investigações apontam para uma organização criminosa muito bem estruturada. O MP busca justamente romper essa cadeia criminosa, uma vez que a responsabilização dos envolvidos é fundamental para desarticular e impedir a continuidade das atividades ilícitas”, afirmou.
Na ação, o MPRR pede a condenação dos denunciados pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, conforme a participação atribuída a cada investigado.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE