“É isso que me move”


O ex-governador e pré-candidato ao Senado, Jorge Viana, estreou nesta quarta-feira (20) o Aqui Tem Acre Cast, novo espaço de debate sobre os desafios e perspectivas para o desenvolvimento do estado. Durante o primeiro episódio, Jorge fez uma defesa enfática da retomada da autoestima acreana, criticou o que classificou como “descaso” com o futuro do estado e falou sobre a saída crescente de famílias acreanas em busca de oportunidades fora do Acre.

O ex-prefeito se colocou à disposição para conversar com a governadora Mailza Assis e do prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, em prol de oportunidades para o Acre. Ao explicar o que o motivou a voltar ao debate político de forma mais ativa, Jorge relembrou um ensinamento de Dom Moacyr Grechi.

“Eu simplesmente perguntei pra ele se a indiferença era pecado. Ele disse: ‘Não, meu filho, a indiferença não é pecado, não. É a soma de vários’. Nunca seja indiferente na sua vida. Se tiver alguma coisa errada e você sabe o certo, vai lá e faça o certo. Se tiver alguém sofrendo, vai lá e ajude. Se você pode e sabe fazer, vai lá e faça. Então, isso que está me movendo”, pontuou.

Segundo ele, esse sentimento explica sua disposição de participar novamente do debate público acreano.“Quando chega num período de eleição, cara, se eu posso ajudar, por que eu não vou ajudar?”, ressaltou.

Ao longo da conversa, Jorge destacou que sempre carregou o Acre por onde passou e relembrou a trajetória construída desde os anos 1980, ao lado de lideranças históricas ligadas à luta de Chico Mendes. “Por onde eu ando, onde eu trabalho, eu levo o Acre. A gente começou lá atrás, nos anos 80, trabalhando com o Chico Mendes, preocupados em construir coisas que pudessem valorizar a nossa terra, mudar a nossa terra”, destacou.

O ex-governador afirmou que o Acre vive hoje um período de baixa autoestima, semelhante ao cenário encontrado quando assumiu o governo. “A gente pegou o Acre destruído, na baixa estima. E a gente conseguiu fazer o Acre voltar a ter autoestima. Eu acho que os tempos que vivemos também estão na baixa estima. Mas a gente pode fazer o Acre voltar a ter autoestima”, observou.

Jorge também fez uma reflexão histórica sobre a formação do estado e a importância de valorizar quem ajudou a construir sua identidade. “Os que vieram antes da gente têm que ser muito celebrados. Não tem saudosismo, mas tem que contar a história para poder sonhar um futuro diferente para frente, baseado no alicerce dos nossos pais, dos nossos avós, dos nossos heróis.”

Um dos pontos centrais da conversa foi a saída de acreanos para outros estados. Jorge disse acompanhar de perto o movimento e relatou preocupação com famílias que têm se dividido em busca de trabalho. “Eu já falei com muita gente que foi, muita gente que está pensando em ir. Famílias que tiveram que aceitar se dividir para que a pessoa vá lá para Florianópolis, ou Joinville, ou João Pessoa”, pontuou.

“O Acre parece estar tendo refugiado. Eu conheço refugiado de guerra. Mas assim, na vida aqui, eu acho que isso acontece pelo descaso de autoridades que talvez não tenham o amor que a gente tem pela história”, acrescentou.

Jorge comparou o momento atual com períodos em que o estado atraía trabalhadores de outras regiões devido ao volume de obras e investimentos. “Estava todo mundo empregado. Tivemos que trazer gente de fora, de Rondônia, de Brasília, de Curitiba, porque não tinha mão de obra suficiente para as obras que nós estávamos executando. Esse é o ar que eu quero de volta. Não a gente andando para trás, mas a gente andando para frente”, destacou.

Durante o episódio, Jorge criticou o que chamou de ausência de planejamento estratégico e disse que o Acre precisa voltar a pensar grande. “O Brasil está vivendo pleno emprego, um período de grandes investimentos. O que tem de investimento aqui vem de políticas públicas do governo Lula. E o Acre está perdendo isso. Eu queria ver as autoridades preocupadas em botar fibra ótica para ter internet de qualidade em todos os municípios, nas aldeias, nos rincões”, afirmou.

Ao abordar possibilidades econômicas, Jorge citou avanços recentes na exportação de carne acreana para mercados internacionais e disse que o estado precisa se posicionar estrategicamente pela proximidade com o Pacífico. “O Acre é o estado que está mais perto do Pacífico. Dá para dar a virada e ter o futuro como farol para trabalhar”, pontuou.

Demonstrando otimismo, reforçou sua convicção de que o estado pode superar a crise atual. “Eu estou muito animado que o Acre vai ter que tomar um jeito. Tem que ser coletivo. O Acre tem jeito, então vamos dar um jeito nele. Mas agora tem que ter união, tem que ter um plano e um propósito”, destacou.

Jorge voltou a falar sobre o vínculo afetivo com o estado e resumiu o sentimento que, segundo ele, o move. “Minhas coisas estão aqui, minhas duas filhas estão aqui, meus netos estão aqui, minha casa está aqui, meu café está aqui e aqui está a minha vida. Meus pais estão enterrados aqui. É isso que me move. É um sentimento que eu chamo de acreanidade”, destacou.

Pré-candidato ao Senado, Jorge Viana, afirmou que a transformação digital deve estar no centro de qualquer projeto de desenvolvimento para o Acre. Ao falar sobre propostas para o futuro, Jorge destacou que uma eventual nova fase política precisa priorizar ciência, tecnologia e conectividade como instrumentos para gerar oportunidades, especialmente para a juventude acreana. “Eu, pré-candidato ao Senado, claro que tenho um monte de ideias. Mas vou falar pelo menos de duas. Eu acho que, se eu fosse governador hoje, a primeira secretaria que eu criaria seria a de Ciência, Tecnologia, Inovação, Conectividade e Comunicação”, declarou.

Segundo ele, a proposta tem um objetivo claro: colocar o Acre na liderança da Amazônia em infraestrutura digital. “Se eu for senador, uma das coisas que eu vou lutar é para o Acre ser o estado que mais tem fibra e conectividade da Amazônia. É um objetivo, um propósito. Porque aí eu conecto o jovem, cara. Não tem como”, pontuou.

Jorge citou a Espanha como exemplo de como a conectividade pode transformar a economia de uma região inteira. “A Espanha, para se inserir na União Europeia, era um país atrasado. O que ela fez? Disse: ‘Eu vou ser o país com mais fibra, com mais conectividade’. Foi lá para cima. Hoje é um dos países mais importantes da União Europeia porque apostou nisso. E quem veio junto? Os jovens”, destacou.

Na avaliação dele, a expansão da internet de qualidade pode abrir novas oportunidades de trabalho sem que os jovens precisem deixar o Acre.

“Hoje um jovem pode trabalhar de casa, daqui de Rio Branco, de qualquer cidade, se tiver essa oportunidade. Agora, os governos estão interessados em aumentar as conectividades de fibra daqui para Porto Velho, para Cruzeiro do Sul, para os municípios, para as comunidades? Não estão. Isso não é pauta deles. A pauta é outra”, pontuou.

Jorge também afirmou que pretende dialogar com diferentes lideranças políticas, independentemente de alinhamentos partidários, caso seja eleito senador.

“Eu vou visitar, provavelmente, a governadora Mailza Assis, vou visitar o prefeito aqui de Rio Branco [Alysson Bestene], visitei o Alto Acre, porque eu estou sendo pré-candidato para resolver o problema. Eu não posso ser mais um problema para o povo eleger”, pontuou.

Ao encerrar a fala, o ex-governador disse que sua motivação é contribuir para recolocar o Acre em trajetória de crescimento. “Eu não tenho mais idade de gastar energia com crise, com xingamento, com acerto de conta, de ideologia. Minha meta é a seguinte: cuidar e ajudar o Acre, ajudar o meu país, para ver a gente acelerando, mas com a ganância de ver o Acre voltando a dar certo. Só isso”, finalizou.



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