
Barrinhas de proteína, chips fitness, cookies proteicos e bebidas enriquecidas com whey protein ganharam espaço nas prateleiras e nas redes sociais nos últimos anos. Com embalagens coloridas, promessas de praticidade e palavras como “fit”, “natural” e “rico em proteína”, esses produtos passaram a ser vistos por muita gente como aliados automáticos da alimentação saudável. Mas especialistas alertam que nem sempre esses lanches são tão benéficos quanto parecem.
O principal ponto de atenção está no fato de que muitos desses produtos são classificados como ultraprocessados, alimentos formulados industrialmente com aditivos, aromatizantes, emulsificantes, adoçantes e ingredientes pouco utilizados em preparações caseiras. Embora possam conter proteínas, fibras ou vitaminas adicionadas, nutricionistas afirmam que isso não significa necessariamente que sejam saudáveis.
Uma análise publicada pela Tufts University destacou que a maioria das barrinhas proteicas disponíveis no mercado se encaixa na categoria dos ultraprocessados. Segundo pesquisadores, dietas com alta presença desse tipo de alimento vêm sendo associadas ao aumento do risco de obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e problemas de saúde mental.
O chamado “efeito halo saudável” também preocupa especialistas. Isso acontece quando o consumidor associa automaticamente um produto à ideia de saúde apenas porque ele possui alto teor de proteína ou termos ligados ao universo fitness. Um artigo publicado pelo BMJ (British Medical Journal) alertou que muitas barrinhas proteicas podem conter quantidades elevadas de açúcar, gordura, sódio e aditivos, funcionando mais como uma sobremesa ultraprocessada do que como um alimento equilibrado.
Além das barrinhas, snacks “fit” e bebidas proteicas também entraram no radar dos nutricionistas. Produtos vendidos como alternativas saudáveis podem apresentar longas listas de ingredientes, excesso de adoçantes artificiais e baixo valor nutricional quando comparados a alimentos in natura. Especialistas ressaltam que um alimento realmente saudável costuma ter ingredientes mais simples e reconhecíveis pelo consumidor.
Pesquisas recentes reforçam que o problema não está apenas em consumir um produto ultraprocessado ocasionalmente, mas na frequência com que eles passam a substituir refeições e lanches naturais.
Isso não significa que toda barrinha ou bebida proteica precise ser evitada. Nutricionistas afirmam que esses produtos podem ser úteis em situações específicas, como correria do dia a dia, viagens ou pós-treino. O importante é observar os rótulos e evitar produtos com excesso de açúcar, gordura saturada, corantes e ingredientes artificiais.
Especialistas recomendam priorizar opções com listas curtas de ingredientes, presença de fibras e menor quantidade de aditivos. Frutas, castanhas, iogurte natural, ovos cozidos, sanduíches caseiros e oleaginosas continuam entre os lanches mais indicados para quem busca praticidade sem abrir mão da qualidade nutricional.