Filme sobre Bolsonaro supera captação da Lei Rouanet em 21 estados e no DF


São Paulo – O montante milionário negociado para a produção de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), superou o total de recursos captados via Lei Rouanet por 21 estados e pelo Distrito Federal individualmente. A revelação das tratativas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o empresário e ex-banqueiro Daniel Vorcaro gerou forte repercussão e inflamou o debate político sobre o financiamento do cinema nacional.

(Foto: Reprodução Instagram @therealjimcaviezel)

Segundo reportagem do The Intercept Brasil, o valor estimado para o investimento privado na obra ultrapassa os R$ 134 milhões. O tamanho da cifra levou apoiadores do ex-presidente a utilizarem as redes sociais para criticar a Rouanet, defendendo o modelo 100% privado para o setor audiovisual.

Comparativo com a Lei Rouanet

Para dimensão do impacto financeiro, o valor que Vorcaro destinaria ao longa-metragem é maior do que a captação anual de quase todas as unidades da federação. Em 2025, os R$ 134 milhões superaram o total arrecadado por meio da lei federal em cada um dos estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além do Distrito Federal, Espírito Santo e Santa Catarina.

Os dados foram consolidados pela coluna Tácio Lorran com base no Salic Comparar, plataforma oficial do Ministério da Cultura (MinC) que monitora os indicadores do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac).

Como funciona o incentivo federal?

A Lei Rouanet funciona por meio de renúncia fiscal: empresas e pessoas físicas podem direcionar uma parte do seu Imposto de Renda devido para projetos culturais previamente chancelados pelo MinC.

Regra do Audiovisual: É importante ressaltar que a Lei Rouanet, por regra, não financia a produção de filmes de longa-metragem comercial. No setor audiovisual, o mecanismo é restrito a:

  • Produção de curtas e médias-metragens;

  • Festivais e mostras de cinema;

  • Preservação, restauração e difusão de acervos.

O caso do filme Dark Horse joga luz sobre a força do capital privado no mercado cinematográfico de viés político, ao mesmo tempo em que reaquece a polarização ideológica em torno dos mecanismos estatais de fomento à cultura no Brasil.

As informações são da Coluna Tácio Lorran do Metrópoles





VER NA FONTE