Ex-ministro do STF Joaquim Barbosa se filia ao Democracia Cristã

O Democracia Cristã (DC) fechou a filiação do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa com o objetivo de lançá-lo como candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. O ingresso de Barbosa nos quadros da legenda ocorreu de forma reservada em abril, e a articulação para sua cabeça de chapa foi confirmada pelo presidente nacional da sigla, João Caldas.

A chegada do ex-magistrado altera os planos originais do DC, que vinha trabalhando nos bastidores a pré-candidatura do ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo ao Palácio do Planalto. O desempenho de Rebelo nas pesquisas de intenção de voto, contudo, não empolgou a cúpula partidária, que optou por abrir espaço para um nome com maior recall nacional. De acordo com dirigentes da agremiação, Rebelo deverá ser remanejado para disputar outro cargo eletivo no pleito.

Pai do ex-prefeito de Maceió (AL) JHC, o dirigente partidário João Caldas afirmou que o nome de Joaquim Barbosa já é considerado a alternativa oficial do partido para a corrida presidencial. Caldas minimizou eventuais ruídos internos e classificou a substituição de Aldo Rebelo como um movimento técnico.

“O partido tem de olhar para a frente. Não é uma pessoa, é uma instituição que visa o que é melhor para o país, para o povo. Aldo há de compreender”, declarou Caldas ao portal Metrópoles. “Joaquim Barbosa é um homem prudente, extremamente cauteloso. Ele é o Joaquim do Brasil, é a pessoa que todos os brasileiros estavam procurando”, completou, avaliando a troca como “impessoal e partidária”.

O comando do DC informou que caberá exclusivamente a Barbosa ditar o ritmo de suas aparições públicas e a formatação de sua plataforma de campanha. “Ele quem vai pautar a agenda dele, na hora oportuna. Ele está com toda a liberdade, o comando é dele”, garantiu o dirigente, que já iniciou conversas com outras siglas de centro para costurar uma coligação proporcional.

Aos 71 anos, Joaquim Barbosa volta a flertar com a carreira político-partidária após ensaiar candidaturas presidenciais em pleitos passados. O movimento mais concreto havia ocorrido em 2018, quando ele se filiou ao PSB. Após meses de especulação e pressão de correntes internas, o ex-ministro declinou do convite para concorrer, alegando razões “estritamente pessoais” para se manter fora das urnas.

Barbosa fez história no Judiciário ao se tornar o primeiro negro a integrar e a presidir o Supremo Tribunal Federal, corte para a qual foi indicado em 2003 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele ganhou projeção nacional e popularidade ao atuar como relator do julgamento do escândalo do Mensalão, cujas sessões foram transmitidas pela televisão ao longo de cinco meses.

Em 2013, o magistrado foi incluído pela revista norte-americana Time na lista das cem pessoas mais influentes do mundo. No ano seguinte, em 2014, decidiu antecipar sua aposentadoria do tribunal.

Até a publicação desta reportagem, nem Joaquim Barbosa e nem o ex-ministro Aldo Rebelo haviam retornado às tentativas de contato para comentar a reestruturação da chapa do Democracia Cristã.

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