Mato Grosso consolidou-se nas últimas décadas como o principal símbolo da força do agronegócio brasileiro. O Estado lidera a produção nacional de soja, milho e algodão, possui uma das maiores expansões de área cultivada do mundo e tornou-se peça central da segurança alimentar global. Ao mesmo tempo, também passou a representar um dos ambientes mais complexos do país quando o assunto é crédito, gestão de riscos e reestruturação financeira no agro.
Nos últimos anos, o aumento das recuperações judiciais envolvendo produtores rurais, grupos agroindustriais, revendas agrícolas e empresas ligadas à cadeia do agronegócio trouxe à tona uma discussão importante: o problema do agro brasileiro não está na produção. Está, principalmente, na gestão financeira, na governança e na forma como parte relevante do setor se estruturou financeiramente durante o último ciclo de expansão.
O agronegócio mato-grossense viveu um período de crescimento acelerado impulsionado por commodities valorizadas, crédito abundante, expansão patrimonial e forte liquidez global. Nesse ambiente, muitos produtores ampliaram área, adquiriram maquinário, expandiram operações e passaram a acessar estruturas cada vez mais sofisticadas de financiamento.
O problema é que o cenário mudou.
Hoje, o setor enfrenta uma combinação extremamente desafiadora: juros elevados, crédito mais restrito, aumento dos custos de…
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