O ator e apresentador Fábio Porchat utilizou suas redes sociais, no final da tarde desta quinta-feira (14), para reagir com ironia à tramitação de um projeto de lei na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) que visa declará-lo “persona non grata” no estado. Em vídeo publicado no Instagram, o humorista afirmou sentir-se “honrado” com a iniciativa dos parlamentares.
A proposta, de autoria do deputado estadual Rodrigo Amorim (PL-RJ), foi aprovada recentemente pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A justificativa do projeto cita esquetes de humor com temática religiosa produzidas pelo grupo Porta dos Fundos e um vídeo em que o apresentador profere insultos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
No vídeo, Porchat destilou deboche ao comentar que, em duas décadas de carreira, nunca imaginou alcançar o posto de “deputado chateado”. “É um negócio que enche o meu peito de orgulho. Estou até meio tremendo”, brincou.
O humorista aproveitou o alcance da publicação para questionar a agenda da Alerj, sugerindo que os deputados fluminenses deveriam focar em problemas estruturais do Rio de Janeiro em vez de legislar sobre opiniões de comediantes. “Eles podiam estar debatendo segurança pública, quem vai ser governador, podiam estar atrás de milícia, tentando levar saneamento básico para as comunidades. Mas não, eles estão pensando em mim”, completou.
Para que o título de “persona non grata” seja efetivado, o projeto de lei ainda precisa passar pelo crivo do plenário da Alerj, onde necessita de ao menos 41 votos favoráveis. Em tom de sátira, Porchat encerrou o vídeo fazendo um “apelo” aos parlamentares.
“Eu preciso de 41 votos. Fica aqui meu apelo: por favor, pensem com carinho, me deem essa chance. Eu prometo que vou fazer justiça e continuar fazendo os vídeos de comédia sempre”, finalizou.
A declaração de “persona non grata” é uma medida simbólica que expressa o descontentamento oficial do Poder Legislativo com a conduta de um indivíduo, não implicando em restrições legais de circulação ou perda de direitos civis, mas servindo como um instrumento de reprovação política.