As que não chegam lá



Todos nós conhecemos pessoas nos dois grupos. As que ficam o tempo todo se desculpando, e continuam cometendo os mesmos erros a vida toda. Mas, vamos cuidar de nós e deixar que os culpados continuem na deles. Já falei pra você sobre o problema que enfrentei, em Matogrosso, em 1960. Como sempre eu estava numa aventura, querendo ficar na Barra do Bugres, iniciando uma vida diferente. Nada deu certo. Primeiro porque eu tinha meu primeiro filho, no Rio de Janeiro, com poucos meses de idade. E não tinha como levar minha família inexperiente, para as matas mato-grossense. E foi aí que resolvi voltar para o Rio de Janeiro. Mas, não tinha condições de sair da mata. Sem condução, sem dinheiro e sem mais nada. Aí resolvi sair a pés. Cheguei às margens do Rio Bugres, às seis horas da manhã. E pra minha felicidade, lá estava um índio se preparando, numa canoa, para atravessar o Rio. Perguntei se ele me daria uma carona para atravessar o Rio. Ele se prontificou. Embarcamos e atravessamos o Rio.

Já do outro lado do Rio continuamos a caminhada. Só que eu estava com pressa e o índio não tinha pressa nenhuma. Lá na frente perguntei a ele, que direção eu devia tomar para chegar até Cuiabá. Confesso que percebi que o índio estava fazendo força para não rir. Só um maluco iria pensar que chegaria a Cuiabá, por dentro da mata e a pés. Mesmo assim ele apontou em certa direção, eu agradeci, despedi-me e saí quase correndo. O fato é que passei o dia todo caminhando sem saber para onde estava indo. À tarde, já cansado, exausto e faminto, eu já tinha jogado mala, bolsa e tudo mais para dentro da floresta. Estava só com a roupa do corpo e já surrada pra dedéu. E já se aproximava das setes da noite, quando avistei um sinalzinho que me reanimou. Mas vou parar, porque esta historinha está no meu livro: “O Caçador e Marimbondos”.

Tudo que pretendi dizer foi que nunca desista dos seus planos. Vá sempre em frente e você chegará ao horizonte planejado. Aquele foi um dos momentos mais afoitos de minha vida já longa e bem vivida. E as experiências adquiridas nas caminhadas sempre enriquecem o caminhante. E todos nós somos caminhantes da vida, na direção do sucesso e, consequentemente, do progresso. E este está na posição que cada um de nós escolhe para viver a vida como ela deve ser vivida. Nunca desista dos seus sonhos nem dos seus planos. As veredas da vida estão sempre abertas. Cabe a cada um de nós escolher a sua e ir em frente. Pense nisso.

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