Após votar favorável, Bittar acusa Lula de oportunismo ao revogar ‘taxação das blusinhas’


O senador Márcio Bittar (PL) voltou a criticar nesta quarta-feira (13) a chamada “taxa das blusinhas”, ao divulgar vídeo nas redes sociais em que acusa o presidente Lula (PT) de agir por conveniência eleitoral ao anunciar o fim da cobrança sobre compras internacionais de até US$ 50. A fala, no entanto, mostra a incoerência do próprio parlamentar, já que ele esteve entre os senadores que, em 2024, contribuíram para a aprovação da medida no Congresso.

Na gravação, Bittar afirma que o governo petista “taxa tudo” e sustenta que a revogação da cobrança seria uma “medida eleitoreira”. Segundo ele, a eventual retirada da taxação por medida provisória levantaria dúvidas sobre a intenção real do Palácio do Planalto.

“Passado a eleição, será que vai manter? Será que vai mandar para o Congresso um projeto de lei para acabar de uma vez por todas com a taxação que eles criaram? Ou será que é uma medida eleitoreira?”, questionou o senador.

O parlamentar também atribuiu a mudança ao desgaste político provocado pela impopularidade da medida. “Bom, percebendo o Lula, o PT, que isso foi impopular, porque isso aumentou o preço de todo mundo que usava a tal da blusinha, o que ele faz agora? Pediu uma medida provisória para acabar com aquilo que ele fez”, afirmou.

Bittar ainda levantou suspeitas sobre a duração da medida provisória e fez críticas diretas ao governo. “Agora, qual que é o problema? Qual que é o perigo se tratando dessa gente? O perigo é o seguinte: se ele quisesse mudar a lei, ele passaria pelo Congresso Nacional. Uma medida provisória dura quatro meses. Passado a eleição, será que vai manter? Será que vai mandar pro Congresso um projeto de lei pra acabar de uma vez por todas com a taxação que eles criaram? Ou será que é uma medida eleitoreira?”, ressaltou.

“Percebeu que deu errado, percebeu que é impopular, faz uma medida provisória, talvez porque esteja percebendo que a canoa está afundando. Mas de qualquer maneira, nós estaremos atentos pra acabar com um governo que só sabe gastar muito mais do que o que arrecada. E aí, a inflação que aparece faz com que o brasileiro tenha menos alimento em casa, possa comprar menos remédio, tenha a vida mais apertada. Mas daqui a pouco, nas eleições, nós vamos varrer a esquerda e tirar essa turma que governa o Brasil há quase 20 anos. Deus nos proteja. Tamo junto”, concluiu.

O discurso, porém, contrasta com o posicionamento adotado pelo próprio Bittar durante a votação que manteve a taxação no Senado, em junho de 2024. Na ocasião, a análise ocorreu de forma simbólica, modalidade em que apenas os votos contrários ficam registrados nominalmente.

Como Bittar estava presente na sessão e não apareceu entre os parlamentares que se manifestaram contra a cobrança, ficou caracterizado apoio à manutenção da taxação, ao lado do senador Sérgio Petecão. Já o senador Alan Rick não participou da votação por estar em missão oficial.



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