O encontro dos secretários de Estado Temyllis Silva, da Agricultura, e Luiz Calixto, do Governo (Articulação Política) foi um dos destaques das agendas oficiais da semana passada. Noticiou-se os tópicos mais apressados: mecanização, açudagem, relações interinstitucionais.
O que ficou apenas sugerido (“… as ações de governo nos municípios no verão que se aproxima…”), na verdade, não tornou pública a preocupação da equipe de governo com os efeitos do El Niño. Esse foi um dos pontos da conversa. A gravidade do verão e da estiagem deste ano é algo que já pauta as agendas dos secretários de Estado.
Há um risco na aposta da Segov em escolher a Agricultura como uma das pastas prioritárias como instrumento de articulação política: alguns gargalos do setor produtivo têm solução que passam muito longe do Palácio Rio Branco para serem resolvidos. Com destaque para o acesso ao crédito e regularização ambiental. O Governo do Estado pode influenciar, pressionar, mas resolver, de fato, não. São problemas muito caros ao produtor.
O desafio é grande também porque a Secretaria de Estado de Agricultura (Seagro) não tem conseguido fazer o convencimento político das próprias ações. “Que Seagri, rapaz! Seagri não existe aqui em Mâncio Lima!”, afirmou o presidente da Coopercafé, Jonas Lima, em recente declaração após um evento do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) que ofereceu orientação sobre pós-colheita e nutrição aos novos cafeicultores que lotaram o Complexo Industrial do Café.
Estavam mais de 350 pessoas presentes. Segundo o representante da Coopercafé, a Seagri foi convidada, mas não participou dos debates.
“Tem muitos parlamentares que chegam nos municípios e dizem que a Seagri não tem ação nenhuma. Quando a gente abre o painel, muita gente se espanta”, defende-se a secretária de Estado de Agricultura, Temyllis Silva.