Não me alegro e nem comemoro desfechos negativos de ninguém na justiça. Muito menos do Cameli. Ninguém sabe o dia de amanhã, mas não posso brigar com o fato político mais importante desta campanha, que foi a condenação do governador Gladson Cameli pela ótica jurídica da prática de ilegalidades, por 11×0, pela Côrte Especial do STJ. Além da condenação penal veio colado ter se tornado inelegível para a disputa do Senado na eleição deste ano.
A condenação por um tribunal o jogou na Lei da Ficha Limpa. Ao contrário do que andou sendo publicado, no momento que um político se torna inelegível, essa condição passa a valer já após a publicação do Acordão, não necessitando ter trânsito em julgado para entrar em vigor.
A decisão pela sua prisão, essa sim precisa ter trânsito em julgado, no seu caso, para ser executada. São duas figuras diferentes. Até que nada mude, ele está inelegível. O que virá pela frente, não tenho bola de cristal. O certo é que com o Gladson fora do jogo, o quadro do Senado fica embolado na disputa de duas vagas. E atinge em cheio a candidatura da governadora Mailza Assis (PP) a mais um mandato, porque com o Gladson fora, ela perde o seu mais importante cabo-eleitoral.
Por tudo o que aconteceu ontem, me veio à lembrança uma frase do saudoso ex-senador Jorge Kalume (ARENA): “No Acre, não se pode fazer previsão política antes de 24 horas do fim da campanha”.
SÓ PARA LEMBRAR
Esse processo no STJ, que teve agora o seu desfecho, não começou no governo do Lula, mas no governo do Bolsonaro. Só para refrescar a memória de que o PT não tem farinha no angu. Costuma-se colocar culpa no PT de tudo.
ÚLTIMA TENTATIVA
O governador Gladson só pode disputar a eleição se conseguir uma Liminar no TSE para fazer campanha sub Júdice para o Senado. Mas com o risco de ganhar e depois não levar.
BATALHA DO STF
Agora deve vir a batalha do STF, para procurar diminuir a sua pena ou até anular todo o julgamento do STJ. Tudo pode acontecer ou nada.
ENTRE OS MAIS BRILHANTES
Deixando a parte jurídica de lado e a fase recursal do caso; o que aconteceu ontem pode ser o fim da carreira de um dos mais brilhantes políticos acreanos da nova geração. O Gladson Cameli nunca perdeu uma eleição. Foi deputado federal, senador e governador, sempre com votações estupendas. Tem o cheiro do povo. Em todas as pesquisas apareceu liderando em primeiro lugar a carreira para o Senado. Esse mérito ninguém lhe tira.
RECOMENDAÇÃO DIRETA
O ex-senador Jorge Viana (PT), assim que saiu o resultado do STJ, comunicou aos dirigentes do seu partido para não tripudiar sobre a condenação do governador Gladson Cameli, com notas ofensivas. Jorge deve se pronunciar hoje numa nota apenas para marcar posição partidária, sem ataques pessoais.
DISCUSSÃO TRAVADA
Com o ex-governador Gladson Cameli tendo sido tornado inelegível, os bastidores ferviam ontem com narrativas sobre quem preencherá na chapa da Mailza a vaga que era ocupada por ele. Coronel Ulysses Araújo (UB), Socorro Neri (PP), Jéssica Sales (MDB), Sérgio Petecão (PSD) e Eduardo Veloso (Solidariedade), eram os nomes mais comentados.
COISAS DISTINTAS
Não me refiro à cobertura dos atos oficiais do governo pela SECOM, que é boa; mas à cobertura dos seus atos políticos e a distribuição de cópias do material produzido pelos assessores da sua pré-campanha, que está muito a desejar. Outro ponto: vários colegas reclamam que lhe convidam para programas de entrevistas e ela não vai. São fatos que prejudicam a campanha da governadora Mailza Assis (PP).
POR CAUSA DE EXEMPLOS
Leitor manda perguntar por qual fato acho ser a candidatura do ex-prefeito Bocalom ao governo, como perigosa. Poderia citar vários exemplos, mas vou citar um só: quando as pesquisas apontavam que ele perderia de lavada a disputa do governo com o Tião Viana (PT); liso e sem santinhos para distribuir, o Boca perdeu por apenas 0,3% dos votos.
NO TETO DE 30%
Pelas pesquisas regionais que andam sendo publicadas, o presidente Lula deve bater no máximo de 30% do eleitorado do estado. Lembrando que os votos do Acre não têm nenhuma influência no resultado do pleito eleitoral. É um pingo no oceano.
BEM NA FOTO
Na visão de um cabeça branca do MDB com base no Juruá, não vai lhe causar admiração se o candidato a deputado federal Pedro Longo (PDT) vier com uma boa votação de Cruzeiro do Sul.
REUNIÃO PARA AFINAR
Os dirigentes do PL e do MDB se reúnem hoje pela manhã para uma análise sobre os acontecimentos do STJ, principalmente, sobre a vaga que ficará aberta para o Senado por Gladson ter ficado inelegível.
NÚMEROS CONFLITANTES
Aprendi com o saudoso Flaviano Melo que não se briga com pesquisas. As duas últimas pesquisas publicadas vieram com números bem diferentes para o Senado e Governo. Cabe ao leitor achar qual das duas é mais fiel ao atual cenário político dessa pré-campanha. Só divulgo.
CARGOS NA MESA
Uma fonte palaciana revelou ao BLOG que a governadora Mailza Assis (PP) tem na gaveta da mesa do seu gabinete, quantos cargos foram indicados pelos deputados da base do governo e onde estão lotados. Poderão servir de dados para futuras conversas políticas.
TUDO INDICA
Os números estão mostrando que mais uma vez vai acontecer a terrível polarização entre o petismo e o bolsonarismo; sem um nome de centro capaz de quebrar esse elo que tanto mal faz à política brasileira. Já se cansou de Lula e do Bolsonaro, agora através do seu filho Flávio.
FRASE MARCANTE
“Sério na política acreana, somente eu e o meu jumento Cafuringa”. Frase do saudoso e folclórico vereador de Rio Branco, Edvaldo Guedes (MDB).