“Não dá para ficar como está”


O ex-prefeito Tião Bocalom (PSDB) foi o entrevistado do programa Bar do Vaz nesta terça-feira, 2, e, em uma conversa aberta, abordou diversos assuntos, como os avanços de sua administração na capital e as propostas que pretende apresentar caso seja eleito governador do Acre.

Foto: Sérgio Vale

Bocalom iniciou a entrevista explicando as razões que o motivaram a disputar o Governo do Estado. “É uma coisa muito simples. Acho que toda a experiência que acumulei durante meus cinco mandatos de prefeito, a forma como tratei a coisa pública e o fato de ver que o projeto que defendi a vida inteira, e que não mudou em nada, hoje está sendo reconhecido até mesmo por aqueles que tinham outros projetos. Tenho certeza absoluta de que, com a experiência que adquiri e com o modelo de gestão que implantei tanto em Acrelândia quanto em Rio Branco, poderei ajudar muito o Acre. O motivo é muito simples: eu não faço política para ganhar dinheiro e nem por causa de poder. Se fosse por poder, teria continuado como prefeito da capital, com recursos em caixa para trabalhar, muitas obras para realizar e entregar. Eu teria permanecido lá. Encaro a política como um sacerdócio. Não é a primeira vez que digo isso. Para mim, a política não é uma forma de ganhar dinheiro, mas uma maneira de ajudar as pessoas”, declarou.

O ex-gestor também fez críticas ao modelo da chamada “Florestania”, defendido por governos anteriores, e citou o ex-senador Jorge Viana. “Hoje eu vejo a turma da Florestania plantando café. O próprio Jorge, que é considerado o padrinho e pai da Florestania neste estado, hoje planta café e não seringueira. E por quê? Porque dá dinheiro. A Florestania não enriqueceu a população como diziam. Falavam que seria da floresta que retiraríamos nossa riqueza. Ao contrário. Minha tristeza é ver o Acre com mais pessoas dependentes do Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada. Rondônia seguiu o caminho da produção para gerar emprego”, afirmou.

Tião Bocalom também fez questão de destacar a assinatura de um convênio entre a Prefeitura de Rio Branco e a Polícia Federal, firmada durante sua gestão à frente do Executivo municipal. Segundo o ex-prefeito, Rio Branco foi o primeiro município do país a estabelecer esse tipo de parceria com a instituição federal. “Nós fomos a primeira prefeitura do Brasil, entre mais de 5.500 municípios, a assinar um convênio com a Polícia Federal. Até hoje, somos a única prefeitura do país com esse tipo de parceria para troca de informações e apoio às ações de segurança pública”, afirmou.

Bocalom ressaltou ainda os investimentos realizados pela administração municipal na área de monitoramento urbano. “Além de tudo o que fizemos, instalamos cerca de 400 câmeras pela cidade para auxiliar a Polícia Militar e a Polícia Civil, que utilizam essas imagens em suas investigações. Também estruturamos um centro de controle e monitoramento na Prefeitura de Rio Branco. Na minha avaliação, ele está até mais preparado do que o próprio centro de monitoramento do Estado”, declarou.

O ex-prefeito negou que tenha havido descaso na recuperação das ruas de Rio Branco e afirmou que sua gestão recuperou quase 200 vias contempladas pelo programa Ruas do Povo. “Ninguém dá conta de tapar todos os buracos desta cidade. Sabe por quê? Porque os asfaltos são antigos e, em muitos casos, foram mal executados. Há quase 700 ruas que foram feitas e nenhuma aguentou o primeiro inverno. Todas apresentaram problemas logo após a conclusão. Quem deveria fazer esses reparos era o Governo do Estado. Quantas ruas do programa Ruas do Povo o Estado recuperou? Que eu saiba, nenhuma. Já a Prefeitura de Rio Branco recuperou quase 200 ruas. Então, Roberto, não há condições de a prefeitura assumir um problema que é responsabilidade do Governo do Estado”, declarou.

Foto: Sérgio Vale

Bocalom também afirmou que, caso seja eleito governador, pretende atuar em parceria com as prefeituras para solucionar problemas de infraestrutura urbana.“Se eu me tornar governador, tenho certeza de que vou ajudar o Alysson a resolver essa situação. Esse problema é do Estado, não da Prefeitura, porque essas ruas foram construídas com recursos de convênios administrados pelo Governo do Estado e acabaram sendo executadas de forma inadequada”, destacou.

Bocalom também falou sobre as prioridades que pretende adotar caso chegue ao Governo do Acre. Segundo ele, o fortalecimento do setor produtivo será uma das principais metas de sua gestão. “A gente precisa, antes de tudo, que as pessoas possam ganhar dinheiro. Por isso, temos que fortalecer o setor produtivo. Outra questão que me preocupa é a saúde. Cadê os hospitais regionais de Cruzeiro do Sul e de Rio Branco? Ainda falta muita coisa para melhorar. Precisamos fortalecer esses hospitais porque a situação da saúde é séria. Outro problema que vejo é a segurança pública. Precisamos enfrentar essa questão de forma firme para resolver os problemas que afetam a população. Há muitas demandas no Acre, mas nada que seja impossível de solucionar. Não digo que vamos resolver tudo, porque ninguém resolve 100% dos problemas, mas é possível avançar bastante”, afirmou.

Ao abordar a política habitacional, Bocalom destacou que o programa “Mil e Uma Casas”, lançado durante sua gestão na Prefeitura de Rio Branco, ultrapassou a meta inicial e alcançou mais de duas mil unidades habitacionais em execução.“As mil e uma casas viraram 2.177 unidades habitacionais em construção. Eu não entreguei porque não houve tempo hábil. Quando lançamos o programa Mil e Uma Casas, o Governo Federal reativou o Minha Casa, Minha Vida. O que eles precisavam era de terrenos e de uma contrapartida financeira por unidade. Fui a Brasília e assinei o contrato, destinando cerca de 747 terrenos do programa para o Minha Casa, Minha Vida”, explicou.

O ex-prefeito afirmou ainda que, após a adesão ao programa federal, novos investimentos foram liberados para o município.“O Governo Federal percebeu que havia um projeto sério em andamento e abriu uma nova linha de crédito. Quando deixei a Prefeitura, apresentei ao Alysson a planilha completa mostrando que o projeto havia chegado a 2.177 unidades habitacionais. O importante não era eu fazer a entrega pessoalmente, mas fazer acontecer. Tenho certeza de que essas moradias serão entregues e beneficiarão muitas famílias”, concluiu.

Na entrevista, Bocalom voltou a defender o ex-presidente Jair Bolsonaro em relação ao envio de recursos para o Acre. Segundo ele, durante a pandemia, o governo federal destinou volumes expressivos de recursos ao estado. “O Bolsonaro mandou, sim. As emendas foram apresentadas pelos deputados e senadores, mas os recursos chegaram. Naquele primeiro momento, ele enviou mais dinheiro do que qualquer outro presidente. Só para a saúde foram mais de R$ 1 bilhão, recursos que ajudaram a salvar vidas, montar hospitais de campanha, ampliar leitos de UTI e custear diversas ações durante a pandemia. Foi muito dinheiro que chegou ao Acre”, afirmou.

Foto: Sérgio Vale

O ex-prefeito também comentou os repasses realizados pelo atual governo federal. “O Lula também mandou recursos, mas grande parte vem por meio das emendas parlamentares. São mais de R$ 700 milhões por ano em emendas previstas no orçamento e encaminhadas pelos deputados e senadores para os municípios”, declarou.

Bocalom também falou sobre a candidatura de sua esposa, Kelen Bocalom, e afirmou que o apoio à campanha dela ocorrerá de forma natural. “Vai ser a coisa mais natural do mundo o voto na dona Kelen. Ela é esposa do candidato ao governo e também é candidata. É claro que vou ajudá-la na campanha. Agora, nem tudo se transforma em voto na reta final, mas não tenho dúvida de que ela precisa fazer uma votação expressiva para fortalecer a nossa chapa. Espero que consiga um grande resultado”, ressaltou.

Tião Bocalom também defendeu a decisão do prefeito Alysson Bestene de não renovar o contrato com a empresa Ricco Transporte, responsável pelo serviço de transporte coletivo em Rio Branco. “Eu acho que tem que fazer alguma coisa, Roberto. Não dá para continuar do jeito que está. Outro dia conversei bastante com ele sobre isso. Pelo que sei, já existem uma ou mais empresas interessadas em operar o sistema de forma emergencial até a realização da licitação definitiva. Acho que ele está correto. Tem que ser assim mesmo, porque eu também faria isso. Já havia falado anteriormente que não dá mais para continuar da forma como está. A situação chegou a um ponto em que é preciso mudar. Tem que trocar e pronto. Isso é natural”, afirmou.

Durante a entrevista, Bocalom também comentou sua relação com a vice-governadora Mailza Assis e afirmou que uma eventual disputa eleitoral não interfere na amizade entre ambos.“Eu voltei aos velhos tempos. Fui candidato ao governo do Estado três vezes e, em 2010, cheguei muito perto da vitória. Tomei a decisão de ser candidato novamente. Não vejo problema algum em a Mailza ser candidata e eu também ser candidato. Vivemos em uma democracia e a eleição pode ter dois turnos. Minha amizade com a Mailza continua a mesma. Tenho muito carinho e respeito por ela. Não existe nenhum problema entre nós. Quem chegar ao segundo turno certamente contará com o apoio do outro, disso eu não tenho dúvida”, declarou.

Apesar de admitir a possibilidade de uma disputa em dois turnos, o ex-prefeito afirmou acreditar na possibilidade de vitória já na primeira etapa da eleição. “Pelas primeiras andanças que tenho feito pelo Acre, vejo uma receptividade muito boa. Acho que podemos conquistar essa eleição já no primeiro turno”, concluiu.

Sobre as eleições presidenciais, Bocalom afirmou acreditar em uma vitória de Flávio Bolsonaro. “Continuo apostando que o Flávio Bolsonaro ganha a eleição e ganha no primeiro turno. Apesar de haver outras candidaturas da direita, acredito que, no momento decisivo, a população vai pensar: ‘Peraí, não vamos dividir os votos’. Acho que haverá um movimento de concentração em torno de uma candidatura, e vejo chances de o Flávio vencer já no primeiro turno”, declarou.



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