Por PEDRO PESSOA, de Belém (PA)
A Amazônia Legal encerrou o primeiro trimestre de 2026 com redução de 17% no desmatamento, segundo levantamento divulgado pelo Imazon. Entre janeiro e março deste ano, foram devastados 348 km² de floresta, contra 419 km² registrados no mesmo período de 2025. O volume representa uma diferença equivalente a aproximadamente 7 mil campos de futebol, de acordo com o instituto.
Apesar da queda no acumulado do trimestre, os dados de março chamaram atenção. Somente no último mês analisado, o desmatamento subiu 17%, passando de 167 km² em março de 2025 para 196 km² em março de 2026.
Amapá entre os menores índices da Amazônia
No ranking por estados no calendário anual de monitoramento, que vai de agosto de 2025 a março de 2026, o Amapá apareceu entre os menores índices de desmatamento da Amazônia, com apenas 4 km² de área derrubada no período.

Manejo florestal no Amapá, onde apenas 4 km quadrados foram derrubados
Em preservação, o estado ficou atrás apenas de Tocantins, que registrou 3 km². No ciclo anterior, o Amapá havia somado 7 km², o que representa uma queda de 43%.
Pará, Mato Grosso e Roraima lideram devastação
Os maiores índices de desmatamento foram registrados em:
- Pará: 425 km²
- Mato Grosso: 270 km²
- Roraima: 222 km²
Entre os três estados, Roraima foi o único a apresentar crescimento, com alta de 21% em relação ao período anterior.
No chamado calendário do desmatamento, a Amazônia registrou queda ainda mais expressiva. Entre agosto de 2025 e março de 2026, a área devastada caiu de 2.296 km² para 1.460 km², um recuo de 36%. Segundo o Imazon, esse é o menor nível para o período desde 2017.
Área protegida no Pará lidera ranking
Entre as unidades de conservação mais afetadas, a APA Triunfo do Xingu apareceu na primeira colocação, com 35,52 km² desmatados no período. Sozinha, a área concentrou mais de 95% da devastação registrada em São Félix do Xingu, um dos municípios mais pressionados pelo avanço do desmate.
O estudo também apontou forte redução na degradação florestal, que caiu 95% em março, somando apenas 11 km² — o menor índice para o mês desde 2014.
No acumulado anual, a queda chegou a 93%. Ainda assim, pesquisadores alertam que é necessário manter a vigilância para evitar novos avanços do desmatamento na região.