Ramal fica intransitável e isola comunidades indígenas e extrativistas no Acre; prefeitura alega falta de recursos


Um vídeo enviado à redação do portal A GAZETA, nesta quarta-feira, 29, expõe as condições críticas do Ramal Icuriã, no município de Assis Brasil, no interior do Acre. A estrada é o único acesso à Terra Indígena Mamoadate e a uma Reserva Extrativista, onde vivem indígenas dos povos Manchineri e Jaminawa, além de seringueiros e ribeirinhos.

As imagens mostram trechos tomados pela lama, dificultando a passagem até de veículos de maior porte. Segundo relatos de moradores, a situação tem impactado diretamente o acesso a serviços básicos, como saúde e educação.

“Está intransitável. As aulas já começaram na Aldeia Extrema, mas o material escolar e a merenda não chegam porque não tem condição de tráfego pelo ramal”, pontuou.

A reivindicação também abrange o custo abusivo dos fretes. 

“O custo está absurdo, entre R$1.200 e R$1.700 por viagem, totalmente inviável para a comunidade, como que levamos um doente para o hospital? Como buscamos o remédio e levamos nossas crianças para estudar?”, questiona.

Os moradores solicitam, para o estado e para a prefeitura de Assis Brasil, ações emergenciais que resolvam o cenário crítico, entre elas:

  • Recuperação emergencial do ramal, com patrolamento (manutenção e terraplanagem de estradas de terra) e piçarramento (revestir a área com camadas de piçarra ou cascalho)
  • Projeto de asfaltamento
  • Linha de transporte subsidiada enquanto o ramal não é asfaltado para reduzir o custo do frete

Em entrevista à GAZETA, o prefeito de Assis Brasil, Jerry Correia, expôs que a prefeitura não possui recursos o suficiente para sanar a problemática de uma vez, como com o asfaltamento, e que realiza ações de contenção de danos todos os anos para garantir a trafegabilidade. Correia ainda citou que, neste momento, a situação é mais crítica por conta das chuvas.

“A realidade do nosso Acre é essa, todo mundo sabe que no período de chuvas é impossível entrar nos ramais e trabalhar, mas durante todos os anos, desde a nossa gestão, no verão, nós entramos e fazemos esse trabalho de manutenção. Infelizmente, a prefeitura não tem capacidade financeira para atender toda essa  demanda, que são mais de 75 quilômetros de extensão, inclusive, sob proteção do Governo Federal, porque é uma área de reserva. Fazemos o possível, mas não existe um recurso próprio para que a gente chegue até esses ramais”, explicou.

Além disso, Jerry Correia pediu apoio dos parlamentares para solucionar o caso. “O Governo Federal, os órgãos, os parlamentares, também devem assumir sua responsabilidade, enviar suas emendas, os recursos, porque só será resolvido se tivermos dinheiro, porque há maquinário”, defendeu.





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