Na UFAC, Boulos afirma que disputa eleitoral no Brasil terá impacto global e cobra mobilização


O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, encerrou sua agenda no Acre nesta quarta-feira (29) com um encontro na sede da ADUFAC, no campus da Universidade Federal do Acre, em Rio Branco. Diante de dirigentes sindicais, movimentos sociais e militantes, ele fez um discurso marcado por alertas sobre o cenário político e convocações à mobilização.

Logo no início, Boulos delimitou o tom da fala ao afirmar que “nesse momento, eu não vim aqui falar como ministro, eu vim falar como um militante da esquerda brasileira sobre os desafios que a gente tem esse ano”. Em seguida, ressaltou o ambiente de disputa política no país e disse que “todo mundo está acompanhando o cenário de luta política aberta que nós estamos vivendo nesse momento do país”.

Ao se dirigir ao público presente, o ministro destacou a importância da organização coletiva e afirmou que “é muito importante que a gente aproveite um momento como esse, em que estão reunidos dirigentes políticos, sindicais, de organizações sociais e militantes, para tratar da batalha que nós vamos enfrentar”.

Boulos enfatizou o peso das eleições que se aproximam e ampliou o debate para além do contexto nacional ao dizer que “nós vamos viver esse ano uma eleição que não será importante apenas para o povo brasileiro”. Segundo ele, o pleito terá impacto direto na geopolítica internacional e destacou que “a eleição do Lula esse ano não é importante só no Brasil, ela é importante para a geopolítica”.

Ao citar o cenário global, o ministro fez críticas diretas à atuação dos Estados Unidos e ao ex-presidente Donald Trump. Ele afirmou que “olha o que está acontecendo no mundo, o papel que os Estados Unidos e que o Trump têm feito no último ano, não tem precedente disso na história” e acrescentou que “nós estamos vivendo um nível de imperialismo que é quase uma tentativa de recolonizar o Brasil, a América Latina e todo o sul global”.

Boulos também relacionou medidas internacionais a pressões sobre o governo brasileiro e afirmou que “quando botaram o tarifaço, não era só uma questão de tarifa, era botar a faca no pescoço do Lula”. Na mesma linha, completou que “é aquela história, vai empurrando para ver até onde vai”.

Ao defender o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro afirmou que houve reconhecimento internacional da postura do governo brasileiro e disse que “foi reconhecido internacionalmente que o Lula foi o único chefe de Estado que bateu de frente”. Ele citou ainda repercussão na imprensa estrangeira ao afirmar que “isso foi capa do The New York Times, dizendo que ele enfrentou e ganhou”.

Na avaliação de Boulos, o resultado das eleições será determinante para o futuro do país e declarou que “essa eleição é a mais importante do planeta, porque não é apenas reeleger o presidente Lula, é impedir a volta do bolsonarismo e evitar a colonização do Brasil”.

O ministro também criticou declarações do senador Flávio Bolsonaro sobre recursos naturais. Segundo ele, “ele foi lá e disse que as terras raras são para ajudar os Estados Unidos, ele já entregou” e, em tom crítico, completou que “sorte do povo brasileiro é que esse acordo não vai valer nada”.

Ao abordar projetos em tramitação no Congresso, Boulos fez um alerta ao afirmar que “o projeto que está colocado para legitimar essa entrega é um desastre, não garante soberania, não garante nada para o nosso país”.

No campo econômico, o ministro defendeu medidas recentes do governo federal e destacou mudanças tributárias. Ele afirmou que “foi agora que se começou a colocar o dedo na ferida da taxação dos super-ricos” e detalhou que “zerou o imposto de renda para quem ganha até cinco mil reais e compensou cobrando de quem ganha mais de um milhão por ano”.

Ainda assim, reconheceu limitações ao dizer que “ainda é pouco, ainda é abaixo do que a gente quer, não tenho dúvida disso”.

Boulos também ressaltou a mobilização social como fator decisivo para avanços políticos e afirmou que “esse projeto ficou seis vezes na gaveta e só foi aprovado quando a gente tomou as ruas com mais de dois milhões de pessoas”.

Ao tratar da pauta trabalhista, destacou a proposta de revisão da jornada e disse que “o Lula está enfrentando uma pauta histórica dos trabalhadores, que é a revisão da jornada de trabalho com o fim da escala 6×1”.

Encerrando a fala, o ministro reforçou o tom de mobilização ao afirmar que “nós temos que ter consciência do tamanho da guerra que vamos enfrentar daqui até o próximo período” e concluiu com um chamado direto ao dizer que “essa é a batalha que está colocada, e ela passa pela soberania do nosso país e pelo lugar do trabalhador no Brasil”.



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