O caso ocorreu em abril de 2014, quando a caminhonete que levava as vítimas da escola até em casa colidiu com um caminhão.
Caminhonete utilizada para o transporte dos estudantes.
Doze anos após o acidente de trânsito que matou oito estudantes maranhenses, os responsáveis ainda não foram julgados. O caso ocorreu no dia 29 de abril de 2014 na cidade de Bacuri, quando a caminhonete, conhecida popularmente como “pau-de-arara”, colidiu com um caminhão, deixando 9 vítimas fatais e oito feridos.
As investigações apontam que os denunciados haviam desviado verba pública destinada ao transporte escolar do Município.
O veículo transportava 22 adolescentes que residiam no povoado Madragoa. Os jovens estudavam no Colégio América do Norte.
Adolescente no volante

Segundo as investigações do Ministério Público do Maranhão (MPMA), o veículo era de propriedade de Rogério Azevedo Rocha, de 44 anos, que foi contratado pela Prefeitura de Bacuri para transportar os estudantes. Porém, no momento do acidente o filho de Rogério, que na época tinha 15 anos, estava conduzindo a caminhonete.
O jovem contou à polícia que estava dirigindo a caminhonete a pedido do pai, quando avistou um caminhão de carga vindo em direção oposta da via.
Durante o trajeto, o condutor puxou o automóvel para o lado contrário da pista, com receio de que o outro veículo atingisse Rogério, que estava do lado externo da caminhonete.
O relatório das investigações aponta que Rogério teria puxado o volante novamente para a pista após ver que o veículo estava no acostamento. Em seguida, os dois automóveis colidiram entre si.
Testemunhas relataram o proprietário da caminhonete dirigia constantemente alcoolizado, pedindo para o filho seguir viagem com o “pau-de-arara” até o povoado.
Nove mortes e oito feridos

O impacto do acidente deixou oito feridos e ocasionou a morte dos estudantes Carlos Vinícius Rocha, Ana Raquel Vieira, Clenilde Lima, Aldaléia Rabelo, Nayara Pereira, Jefferson Breno Costa, Emyli Costa e Samyly Costa.
Rogério chegou a ser encaminhado para um hospital da região em estado grave, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.
Na época, as Forças de Segurança e de Saúde do Maranhão mobilizaram equipes até o local para prestar socorro às vítimas e familiares.
Desvio de verba do transporte
O Tribunal de Justiça do Estado (TJMA) descobriu um desvio de dinheiro dos cofres da Prefeitura de Bacuri feito pelo ex-prefeito Baldoíno Nery em conjunto da ex-secretária Municipal de Educação, Célia Nery, do chefe da a comissão de Licitação, Gersen James, e do ex-pregoeiro municipal, Wagno Setúbal.
As investigações apontam que os denunciados teriam se juntado e utilizado rubricas destinadas ao transporte escolar de estudantes nos anos de 2013 e 2014. Os gestores da época contrataram “paus-de-araras” para o transporte dos alunos, sem qualquer segurança e profissionais habilitados.
Além dos gestores, o sócio-diretor da empresa contratada pela Município para prestar serviços de transporte escolar, Andrew Santos, também foi denunciado, sendo considerado “laranja” pelos gestores para desviar valores da prefeitura.
Caso em andamento
O caso ainda segue em andamento, sem a condenação definitiva dos réus. A última atualização do processo ocorreu em outubro de 2025, quando a Justiça desconsiderou o fato como “dolo eventual”, quando se assume o risco da morte das vítimas.
Agora, os denunciados seguem respondendo os processos como “culpa consciente”, quando há imprudência ou negligência da situação.
A decisão foi proferida pelo Desembargador Raimundo Moraes Bogéa.
Feriado Municipal
Pela forte comoção que o caso teve, o dia 29 de abril se tornou feriado municipal para os moradores de Bacuri. Em memória, a Prefeitura relembrou o caso nesta quarta-feira (29) como forma de respeito às famílias das vítimas.
“A data lembra as crianças da comunidade Madragoa que perderam suas vidas em um momento que deixou marcas profundas em toda a cidade. Que a memória dessas crianças siga presente entre nós”, declarou.