STF torna Silas Malafaia réu por injúria contra generais do Exército


A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta terça-feira (28), tornar o pastor Silas Malafaia réu pelo crime de injúria. A denúncia, apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), refere-se a ofensas direcionadas ao comandante do Exército, general Tomás Paiva, e a outros oficiais da cúpula militar. O caso teve origem em declarações feitas pelo religioso durante uma manifestação em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, realizada em São Paulo em abril do ano passado.

Na ocasião, Malafaia utilizou o microfone para classificar os generais como “frouxos, covardes e omissos”, afirmando ainda que os militares “não honram a farda que vestem”. O julgamento terminou com um empate de 2 votos a 2, o que, de acordo com o regimento jurídico, beneficia o réu. Enquanto os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino votaram pelo recebimento da denúncia por injúria e calúnia, os ministros Cristiano Zanin e Cármen Lúcia entenderam que a conduta se limitava apenas ao crime de injúria.

Aplicação do benefício do empate

Diante do impasse no colegiado, os magistrados aplicaram o princípio do in dubio pro reo, decidindo pela abertura da ação penal apenas pela tipificação menos grave. Com isso, a acusação de calúnia que implica atribuir falsamente a alguém a prática de um crime foi descartada nesta fase processual. O pastor agora responderá oficialmente como réu pela injúria, que diz respeito à ofensa à dignidade ou ao decoro dos militares atingidos pelas declarações.

A decisão marca mais um capítulo nos desdobramentos jurídicos envolvendo manifestações políticas e críticas institucionais feitas por lideranças religiosas e aliadas ao antigo governo. O STF reafirmou sua competência para analisar o caso, apesar dos questionamentos levantados sobre o foro de julgamento. O processo seguirá agora para a fase de instrução, com a coleta de provas e depoimentos das partes envolvidas antes de uma sentença final.

Argumentos da defesa e foro privilegiado

A defesa de Silas Malafaia sustentou, durante a tramitação do inquérito, que o pastor não utilizou nomes específicos em suas críticas, tratando o tema de forma genérica. Os advogados também argumentaram que Malafaia se retratou publicamente pelas declarações e que, por não possuir foro privilegiado, o caso não deveria ser processado pela Suprema Corte. Contudo, o entendimento predominante foi de que a conexão com investigações em curso no tribunal justifica a manutenção do processo no STF.

Com o recebimento da denúncia, o Judiciário analisará se as palavras utilizadas pelo pastor excederam o limite da liberdade de expressão e se configuram ataque pessoal desonroso aos comandantes das Forças Armadas. O Exército Brasileiro não se manifestou oficialmente sobre a decisão da Corte até o momento. O desfecho da ação penal poderá influenciar o debate sobre os limites das críticas feitas por civis a autoridades militares no Brasil.

Publicidade

NEWSTV

Publicidade

Publicidade



Publicidade

Publicidade

NEWSTV

Publicidade

Publicidade



VER NA FONTE