Sem dados, o navio não sai: como a inteligência de mercado virou essencial no comércio exterior, segundo especialista

Insights da Intermodal South America 2026 mostram como o uso estratégico de dados e inteligência artificial está redefinindo decisões no transporte marítimo e aumentando a previsibilidade das operações

Da Redação (*)

Brasília – Em um cenário de cadeias logísticas cada vez mais complexas, voláteis e pressionadas por custos, a capacidade de transformar dados em decisões deixou de ser diferencial para se tornar requisito básico no comércio exterior. Esse foi um dos principais insights da Intermodal South America 2026, maior evento de logística e transporte da América Latina, onde especialistas e empresas do setor destacaram o papel central da inteligência de mercado no dia a dia do shipping.

Ao longo dos debates e encontros realizados durante a feira, ficou evidente que o uso estruturado de dados já impacta diretamente decisões estratégicas – do direcionamento de cargas à definição de preços e análise de concorrência. Em um ambiente em que variáveis como frete, demanda global, capacidade portuária e instabilidades geopolíticas mudam rapidamente, a previsibilidade se tornou um ativo valioso.

Na prática, empresas que operam com inteligência de dados conseguem reduzir incertezas e aumentar a assertividade das operações. A leitura mais precisa do comportamento do mercado permite antecipar movimentos, ajustar rotas e identificar oportunidades comerciais com mais agilidade.

Especialista vê mudança estrutural

Para Marcos Silva, CIO da Datamar e especialista em tecnologia para logística marítima, o setor vive uma mudança estrutural. “O volume de informações disponíveis hoje exige uma nova forma de pensar a operação. Não basta ter acesso aos dados, é preciso transformá-los em inteligência aplicável, capaz de orientar decisões em tempo real”, afirma.

Segundo ele, a evolução do shipping passa diretamente pela maturidade analítica das empresas. “A previsibilidade virou um fator crítico. Quem consegue interpretar melhor os dados sai na frente, porque toma decisões mais rápidas e mais seguras, seja no planejamento de rotas, na negociação de fretes ou na definição de estratégias comerciais”, diz.

Outro ponto recorrente nas discussões da Intermodal foi o papel da inteligência de mercado no direcionamento de cargas. Com dados mais detalhados sobre fluxos comerciais, comportamento de importadores e exportadores e movimentações da concorrência, operadores logísticos conseguem identificar tendências e ajustar suas operações com maior precisão.

“A lógica mudou. Antes, muitas decisões eram baseadas em histórico e percepção. Hoje, são orientadas por dados concretos, atualizados constantemente. Isso impacta diretamente a competitividade das empresas”, explica Marcos.

A inteligência de dados também tem sido determinante nas estratégias de pricing. Em um mercado altamente dinâmico, acompanhar variações de demanda e oferta em tempo real permite ajustes mais rápidos e alinhados ao cenário global, evitando perdas financeiras e aumentando a eficiência operacional.

Apesar dos avanços, especialistas apontam que o setor ainda enfrenta desafios importantes. A qualidade e a estruturação das informações, além da integração entre diferentes fontes de dados, ainda são entraves para muitas empresas, especialmente em mercados emergentes.

Nesse contexto, a aplicação de inteligência artificial aparece como aliada, mas ainda em estágio de evolução. “A IA tem um enorme potencial, mas precisa ser aplicada com foco e contexto. Modelos genéricos não dão conta das especificidades do transporte marítimo. O ganho real está na combinação entre dados qualificados, conhecimento de mercado e tecnologia bem direcionada”, afirma Silva.

Os insights da Intermodal 2026 reforçam que o futuro do comércio exterior passa, inevitavelmente, pela inteligência de dados. Em um setor onde margens são pressionadas e riscos são constantes, a capacidade de prever cenários e agir com base em informações confiáveis deixou de ser tendência e se consolidou como condição para competir.

No fim das contas, a lógica é simples: em um mercado guiado por dados, navegar sem inteligência já não é uma opção.

(*) Com informações da Datamar

VER NA FONTE