Entre a suspeita e o início do tratamento, famílias de crianças com sinais de autismo em Rio Branco enfrentam uma espera que pode ultrapassar um ano. No município, pelo menos 1.500 crianças estão na fila por atendimento terapêutico, enquanto o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) ainda depende de uma rede com capacidade limitada diante da crescente demanda.
O primeiro contato ocorre na atenção básica, nas Unidades de Referência de Atenção Primária (URAPs) e nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), onde são realizadas as avaliações iniciais. Em crianças entre 16 e 36 meses, pode ser aplicado o M-CHAT, instrumento de rastreio utilizado para identificar sinais precoces do transtorno.
Após essa etapa, o paciente é encaminhado para especialistas da rede estadual, como neuropediatras, neurologistas e psiquiatras, responsáveis pela confirmação do diagnóstico.
Gargalo na rede especializada
É nesse ponto que o processo tende a se alongar. A fila para especialistas da rede estadual é considerada extensa, o que impacta diretamente no tempo de espera para o diagnóstico.
Além disso, a alta demanda por atendimento terapêutico no município contribui para ampliar ainda mais o intervalo entre a identificação dos sinais e o início do acompanhamento adequado.
“Para atendimento terapêutico no município, há uma fila significativa. O Centro de Atendimento ao Autista Mundo Azul possui cerca de 1.500 crianças aguardando vaga para acompanhamento”, afirma a psicóloga e neuropsicóloga Edila Sousa, gestora da unidade.
Capacidade abaixo da demanda
Mesmo com protocolos baseados nas diretrizes do Ministério da Saúde, que priorizam a identificação precoce durante a puericultura, a estrutura atual não tem sido suficiente para atender todos os casos.
Como estratégia, a Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com o TeleSaúde Sesacre, tem investido na capacitação de profissionais da atenção básica, buscando melhorar a triagem e o encaminhamento dos pacientes.
Desafios
Entre os principais desafios apontados estão a ampliação da oferta de terapias, a redução do tempo de espera para diagnóstico e a necessidade de contratação de mais profissionais especializados.
“Há iniciativas como a capacitação contínua dos profissionais da atenção básica e previsão de ampliação da equipe. No entanto, expansões maiores dependem de orçamento, contratação de profissionais e planejamento da gestão”, destaca a profissional.
Enquanto isso, famílias seguem enfrentando longos períodos de espera em um cenário em que a demanda cresce mais rápido do que a capacidade de atendimento da rede pública.