Por ANDERSON MELO, de Macapá (AP)
O amapaense Luiz Carlos Gomes Barroso, de 29 anos, conhecido como Luiz Fion, conquistou medalha de ouro no AJP Tour, circuito internacional de jiu-jítsu, realizado no último fim de semana em Turim. Na categoria pena (até 70 quilos), o atleta venceu três lutas por pontos contra adversários da França e da Itália. A conquista reforça uma trajetória construída longe dos grandes centros esportivos. Natural de Macapá, Luiz foi criado no bairro Vale Verde, no distrito da Fazendinha, onde teve o primeiro contato com o jiu-jítsu ainda adolescente, no projeto social Cova dos Leões, voltado a jovens em situação de vulnerabilidade.
Foi nesse ambiente que surgiu o apelido “Fion”, dado por uma indígena que o descrevia como alguém reservado, mas com grande potencial. O significado acompanha sua carreira até hoje: “guerreiro da luz”.
Aos 17 anos, o talento abriu portas fora do estado. Luiz foi convidado para treinar em São Paulo, na equipe liderada por Cícero Costha, onde passou a disputar competições nacionais e internacionais, consolidando seu nome no alto rendimento.
Entre 2024 e 2025, o atleta conquistou o campeonato nacional da Espanha, resultado que impulsionou uma nova fase na carreira. Atualmente, vive em Berna (Suíça), onde mantém rotina de treinos e competições, ainda representando a equipe paulista.

Fion na final…

…e ao ser declarado o vencedor
O ano de 2026 já acumula resultados expressivos. Em janeiro, Luiz garantiu ouro no Campeonato Europeu de Jiu-Jítsu, realizado em Portugal. Agora, com o título em Turim, amplia a sequência positiva na temporada.
O calendário ainda prevê disputas em Genebra e no Grand Slam de Istambul. O principal objetivo, porém, é o Campeonato Mundial da AJP Tour, marcado para o fim do ano, em Abu Dhabi. Mesmo com a carreira consolidada no exterior, Luiz mantém o vínculo com suas origens. A família permanece na Fazendinha, em Macapá, e segue como principal motivação para o atleta.

Família é a motivação: “tentar mudar a vida da minha mãe e meu irmão”
“O esporte é uma forma de tentar mudar a vida da minha mãe e do meu irmão, que ainda moram no Amapá. Venho de uma origem muito humilde e, aos poucos, quero me consolidar para dar uma vida melhor para eles. Essa competição do fim do ano pode abrir muitas portas, e a premiação também pode me ajudar nesse objetivo”, disse.