O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao comentar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, há contradição entre o discurso do chefe do Executivo e as escolhas para a Corte.

Quantas mulheres ele indicou? Quantas pessoas negras, indígenas ou trans? Cadê a participação de todas essas categorias?
Desde que assumiu o mandato, Lula já indicou nomes como Flávio Dino e Cristiano Zanin, considerados próximos ao presidente. As nomeações têm sido alvo de críticas da oposição, que aponta alinhamento político nas escolhas.
A indicação de Jorge Messias para a cadeira do ex-ministro Luís Roberto Barroso ainda precisa passar por sabatina e aprovação do Senado.
Segundo Abilio, o presidente criticou, no passado, a indicação de pessoas próximas ao Supremo, mas estaria repetindo a prática ao escolher aliados.
“É só pegar a fala do Lula no debate com o Bolsonaro, onde ele fala que não é certo colocar amigo no Supremo Tribunal Federal, mas ele colocou advogado, amigo e até o Messias. É incoerência”, afirmou.
Abilio também questionou a falta de diversidade nas indicações feitas pelo petista.
“Quantas mulheres ele indicou? Quantas pessoas negras, indígenas ou trans? Cadê a participação de todas essas categorias que tanto se discute?”, perguntou.
Na avaliação de Abilio, as escolhas do presidente não refletem o discurso de inclusão defendido por ele, já que ele não traz esses perfis diversos na hora de indicar ministros ao Supremo.
“O que vejo é ele indicando o amigo dele, o advogado dele, o apadrinhado dele. Todos eles, pelo que pude ver, são pessoas brancas, hétero, que casam na igreja”, afirmou.
Além da falta de representatividade de minorias, o prefeito ainda afirmou que Lula estaria reduzindo a representatividade feminina no Supremo.
“Hoje o que vejo é ele diminuindo cada vez mais a representatividade das mulheres no STF. Espero que, quando sair uma ministra, ele indique outra mulher”, disse.
Abilio também aproveitou para comparar a situação com sua própria gestão e com o Governo de Mato Grosso. Ele destacou que lideranças de direita tem dado mais espaço às mulheres na gestão.
“Eu, aqui no município de Cuiabá, 50% do meu secretariado é feminino. E não é por questão de cota nem nada, é por capacidade […]. Hoje o governo do Otaviano Pivetta também, a maior parte dessas participações são femininas”.
“Agora o Lula, em todos os ministros que ele indicou no Supremo, nenhuma mulher, nenhuma pessoa negra, nenhuma pessoa indígena, nenhuma pessoa LGBTQIA+, nem nada disso, é só fantasia”, disse.