​O Estado de Rondônia: Entre a Cruz, o Arado e a Barbárie


Este artigo, fundamentado na análise materialista histórica, surge como uma resposta crítica à realidade cruel de Rondônia, inspirado no texto publicado em 15 de abril de 2026 no Facebook pelo ilustre Geovaldo Sena — ex-professor de educação física, ex-diretor de unidades escolares em Porto Velho e atual integrante do Conselho Estadual de Educação (CEE-RO). A imagem abaixo, registrada por Sena, não é apenas um registro fotográfico, mas um manifesto visual da falência do projeto humanitário sob o peso do capital.

A cena registrada no Centro Político Administrativo (CPA) é a manifestação estética e política de uma hegemonia construída para servir aos interesses da classe dominante. Em Rondônia, o Estado não atua como um mediador neutro, mas como o “comitê executivo da burguesia” agroexportadora, como definiriam Marx e Engels.

  1. A Teologia do Domínio e a Colonização das Escolas

A presença de símbolos do Estado sionista e a realização de cultos em repartições públicas e eventos da SEDUC revelam a instrumentalização da fé para a manutenção da ordem. A Teologia do Domínio, que avança sobre as escolas, busca substituir o pensamento crítico pela obediência servil.

Dentro de eventos para funcionários e policiais, a promoção de uma fé evangélica bolsonarista fere a laicidade do Estado (CF/88). Como pontua Gramsci, a escola torna-se um aparelho ideológico onde se tenta forjar um “senso comum” que naturaliza a desigualdade. Em vez de formar sujeitos históricos, busca-se formar mão de obra resiliente, que aceita a precariedade como “vontade divina”.

  1. A Omissão Estrutural: Do Conselho à Precarização

Aqui reside uma contradição fundamental: órgãos como o Conselho Estadual de Educação (CEE), que deveriam zelar pela qualidade e proatividade do ensino, muitas vezes mergulham na omissão. Quando o CEE não age de forma combativa contra o desmantelamento da escola pública, ele se torna cúmplice do adoecimento progressivo da categoria dos trabalhadores da educação.

É conveniente culpar as vítimas da “falta de mérito” ou da “falta de educação”, mas quando foi que vimos um professor cadeirante ocupando as cadeiras de decisão do CEE? A ausência de representatividade física e política dos corpos marginalizados nesses espaços ratifica o distanciamento entre a burocracia estatal e a dor do povo.

  1. O Boi que Vale mais que a Gente

Rondônia exporta bilhões em proteína animal, enquanto sua infraestrutura de saúde e assistência para os “descartáveis” do sistema, como o cadeirante da foto, é negligenciada.

“O capital tem horror à ausência de lucro.” (Karl Marx, O Capital)

Sob o Novo Arcabouço Fiscal, a austeridade prioriza o pagamento de juros ao capital financeiro. É a necropolítica em curso: o Estado decide quem deve viver (os setores do agronegócio e garimpo) e quem pode ser deixado ao relento. O cuidado dedicado às vacas e bois supera, em investimento técnico e sanitário, o cuidado dedicado aos seres humanos excluídos.

  1. A Meritocracia como Anestesia

A ideologia da meritocracia convence o trabalhador de que sua miséria é culpa de sua própria ineficiência. Como explica Paulo Freire em Pedagogia do Oprimido:

“Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor.”

Nas repartições de Rondônia, a religiosidade vazia substitui a solidariedade de classe pelo julgamento moral. É impossível educar para a solidariedade quando o Estado fomenta a competição feroz pela sobrevivência. O individualismo rondoniense, forjado na fronteira agrícola, impede a consciência de classe necessária para mudar a realidade do cadeirante no chão do CPA.

Referências Bibliográficas

ALVES, Giovanni. Trabalho e Subjetividade: o espírito do toyotismo na era da acumulação flexível. Boitempo, 2011. (Sobre o adoecimento docente).
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Paz e Terra, 1968.
GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. Vol. 2. Civilização Brasileira, 2000. (Sobre os aparelhos ideológicos de Estado).
HARVEY, David. O Novo Imperialismo. Edições Loyola, 2004. (Sobre acumulação por espoliação).
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. O Manifesto do Partido Comunista. 1848.
MBEMBE, Achille. Necropolítica. n-1 edições, 2018.

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