
Uma pesquisa do Datafolha divulgada nesta terça-feira (14) pelo jornal Folha de S.Paulo revela um retrato ambivalente da relação dos brasileiros com o Supremo Tribunal Federal (STF): ao mesmo tempo em que cresce a percepção de excesso de poder dos ministros, a maioria ainda reconhece a Corte como essencial para a democracia.
O levantamento mostra que 75% dos entrevistados avaliam que os ministros do STF têm mais poder do que deveriam. Ainda assim, 71% afirmam que a Corte desempenha papel fundamental na proteção do regime democrático no país.
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Os dados foram coletados entre os dias 7 e 9 de abril, com 2.004 pessoas em 137 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Além disso, o estudo aponta um desgaste na imagem da Corte. Para 75% dos entrevistados, a confiança no STF diminuiu em relação ao passado. Como é a primeira vez que essa pergunta foi aplicada, não há comparação com levantamentos anteriores.
O recorte por voto no segundo turno de 2022 mostra diferenças marcantes. Entre eleitores de Jair Bolsonaro (PL), 88% dizem que o STF tem poder excessivo. Já entre eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva, esse índice cai para 64%, embora ainda seja majoritário.
Por outro lado, quando o tema é a importância do tribunal para a democracia, o cenário se inverte. Entre os que votaram em Lula, 84% defendem o papel do STF. Já entre os eleitores de Bolsonaro, esse número é menor, mas ainda relevante: 60%.
Entre os que votaram branco, nulo ou não escolheram candidato, 67% consideram que há excesso de poder, enquanto 73% reconhecem a importância da Corte.
O resultado surge em um momento de forte exposição do STF, impulsionada por decisões de grande impacto político e pelo envolvimento de ministros em episódios recentes, como o chamado Caso Master, que ampliou o debate público sobre os limites de atuação da Corte.