Por Danilo Zorzan*
O senso comum, por muito tempo, trouxe a narrativa de que alimentação saudável e alimentação prática estão em pontas diferentes. A indústria sempre enfrentou o estigma de que a alimentação rápida e conveniente era sinônimo de ofertas duvidosas. E nos últimos anos, a esse contexto, somou-se outro: o de que os consumidores estão, de fato, cada vez mais focados em saudabilidade.
A pesquisa “Top Global Consumer Trends 2025”, realizada pela Euromonitor International, revela que as pessoas não querem mais apenas viver, e sim ter mais expectativa de vida. Ou seja, mais do que envelhecer, o desejo é envelhecer com qualidade. O levantamento aponta que 52% dos consumidores acreditam que serão mais saudáveis nos próximos cinco anos do que são agora.
Hoje, o que observamos é uma busca crescente por produtos que contribuam não apenas para a saúde física, mas também para o equilíbrio emocional e a qualidade de vida. Isso significa que se sentir mais no controle da própria saúde, ter tranquilidade em relação à nutrição diária e buscar equilíbrio físico e mental aparecem entre os principais motivadores para o consumo. Essa mudança de percepção representa uma das mais importantes evoluções recentes para a indústria de alimentos e bebidas. E exige que ela se adapte rapidamente.
Como apoiadores de empresas que atuam neste segmento e no intuito de ajudá-las a entender melhor as necessidades em transformação dos consumidores preocupados com a saúde e identificar oportunidades de inovação e crescimento, fizemos recentemente uma pesquisa em 17 países, incluindo o Brasil. Nesse levantamento, identificamos, por exemplo, que 59% dos consumidores preocupados com a saúde preferem opções prontas para beber por sua conveniência, portabilidade e facilidade de uso.
Percebemos, ainda, outro fato: essa mudança nas prioridades dos consumidores, que ocorre em todo o mundo e não apenas no Brasil, está remodelando o mercado de suplementos alimentares e nutrição, com benefícios funcionais, emocionais e sabores locais influenciando cada vez mais a demanda.
A pandemia acelerou discussões sobre saúde mental, qualidade de vida e prevenção. Desde então, consumidores passaram a enxergar alimentação e nutrição como ferramentas importantes para enfrentar os desafios de uma rotina cada vez mais intensa, marcada por excesso de informação, pressão por produtividade e pouco tempo disponível.
Talvez nunca tenhamos visto um cenário tão complexo: o consumidor deseja cuidar da saúde, mas não está disposto a abrir mão da praticidade e sabor. Isso ajuda a explicar o avanço dos formatos prontos para consumo, especialmente das bebidas funcionais e dos suplementos, que oferecem conveniência sem comprometer essa demanda por saúde.
Mais do que atender a uma necessidade pontual, esses produtos passam a integrar uma jornada de bem-estar. O consumidor busca soluções que se encaixem em seu cotidiano sem demandar dele tempo para preparação do alimento ou mudanças significativas na rotina.
Vemos que opções ligadas a saudabilidade crescem cada vez mais. Temos categorias como whey protein, bebidas vegetais, leite A2, suplementos vitamínicos, entre outras, que há cerca de duas décadas sequer existiam em nosso portfólio. Isso sinaliza que a indústria já entende este consumidor preocupado com saúde e praticidade e se adapta para atender seus anseios.
Trata-se de um contexto único para as marcas estabelecerem uma nova relação com seus clientes. Experiência e conveniência, se atendidas a contento, podem ajudá-las a destacarem-se.
O consumidor exige formulações mais naturais, buscando viver melhor dentro de uma rotina atribulada. E alguns fabricantes já entenderam isso, movimento que vem sendo crescente. Talvez a lógica de “alimentos saudáveis vão contra a praticidade cotidiana” esteja finalmente mudando.
