Dois fortes terremotos que atingiram a Venezuela na quarta-feira (24) mergulharam o país em uma das maiores tragédias de sua história recente. Com magnitudes de 7,2 e 7,5 — este último o mais intenso em mais de um século — os tremores deixaram, até o momento, ao menos 188 mortos e mais de 1.520 feridos, números que ainda podem crescer significativamente.
Em meio à destruição generalizada, prédios inteiros desabaram em Caracas e outras cidades, enquanto equipes de resgate trabalham contra o tempo para encontrar sobreviventes sob toneladas de escombros. Estimativas não oficiais apontam para mais de 24 mil desaparecidos, e projeções internacionais indicam que o total de vítimas fatais pode chegar a 10 mil.
Na cidade costeira de La Guaira, uma das regiões afetadas, a professora venezuelana Gênesis Amundaray descreve um cenário de desespero e exaustão emocional.
“Muita loucura, muita confusão, muita tristeza. Perdemos tudo, tudo mesmo. Eu não imaginei na vida passar por isso”, relata.
Segundo ela, a tragédia se soma a um histórico recente de dificuldades enfrentadas pela população venezuelana. “Nosso povo já vem de muitas lutas, muito machucado, política, economicamente… e agora isso. A gente tem perdido a esperança. Eu perdi a esperança já.”
A professora também chama atenção para a migração internacional venezuelana e o sentimento de abandono. “Nosso povo está espalhado por lugares que não gostam da gente, em países que não nos querem. E agora quem ficou passa por algo assim. É devastador.”
A situação no país é crítica. Hospitais operam acima da capacidade, faltam médicos, medicamentos e recursos básicos. “A cidade ainda está um caos, muita sujeira, muitos escombros. Não temos nem médicos ou remédios para atender tanta gente. Precisamos de ajuda”, afirma Gênesis, acrescentando que tem um primo desaparecido.
Além da destruição urbana, a infraestrutura nacional também foi severamente afetada. Aeroportos permanecem fechados, dificultando a chegada de ajuda e a evacuação de feridos. Diante da gravidade da situação, o governo venezuelano decretou estado de emergência.
Equipes de resgate internacionais, incluindo do Brasil, Estados Unidos e países europeus, já estão em território venezuelano para auxiliar nas buscas e no atendimento às vítimas. Os tremores também foram sentidos em regiões do norte do Brasil, como Manaus e Belém.
O desastre ocorreu durante a noite de um feriado nacional, o que pode ter contribuído para o elevado número de vítimas. Mais de 500 equipes de emergência seguem mobilizadas em operações de busca.
Enquanto os números continuam a subir e o cenário permanece incerto, relatos como o de Gênesis Amundaray evidenciam não apenas a dimensão material da tragédia, mas também o impacto humano profundo. “Estamos todos marcados bem fundo por perdas, medo e esse sentimento crescente de desamparo”, encerra a professora.
Confira abaixo os vídeos da tragédia no país vizinho: