Banco Central eleva para 2% previsão de crescimento da economia em 2026


Revisão foi motivada pelo desempenho positivo do PIB no primeiro trimestre deste ano.

O Banco Central aumentou de 1,6% para 2% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026. A estimativa consta no Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (25). Segundo a instituição, a revisão foi influenciada pelo desempenho acima do esperado da atividade econômica no primeiro trimestre. Entre janeiro e março, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,1% em relação ao trimestre anterior, com avanço da agropecuária, indústria e serviços.

O BC também aponta melhora nas perspectivas para setores como agropecuária e indústria extrativa, além de maior dinamismo da demanda interna, do consumo das famílias e dos investimentos. Apesar da revisão para cima do PIB, o relatório mantém atenção ao cenário inflacionário. Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 4,72% em 12 meses, acima do teto da meta de inflação, fixado em 4,5%.

A autoridade monetária projeta que a inflação continue elevada até o fim de 2026, mas volte a desacelerar ao longo de 2027. A estimativa para o quarto trimestre daquele ano é de 3,7%. O Banco Central destaca que fatores como a alta dos preços do petróleo, alimentos e outras commodities, além do aumento das expectativas de inflação, têm pressionado as projeções.

Em contrapartida, a manutenção de juros elevados e a valorização do real ajudam a reduzir parte desses impactos. Em relação ao crédito, a previsão de crescimento para 2026 foi mantida em 9%. A expectativa é de expansão de 7,8% nas operações com recursos livres e de 10,7% no crédito direcionado.

Já a projeção para o déficit em transações correntes foi reduzida de US$ 58 bilhões para US$ 56 bilhões, o equivalente a 2,1% do PIB. Segundo o BC, a revisão reflete principalmente a expectativa de aumento das exportações, impulsionadas por preços mais elevados de produtos como petróleo, soja e carne bovina.
O relatório ressalta, porém, que o cenário econômico segue cercado de incertezas, especialmente devido aos impactos dos conflitos no Oriente Médio sobre a inflação, o crescimento econômico e as contas externas do país.



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