Embalagens sustentáveis ganham espaço no food service

Que a causa ambiental está em pauta e a redução do uso de plásticos é urgente, isso não é novidade. No setor de Food Service a procura por opções biodegradáveis cresce e se consolida a cada ano, refletindo as demandas mundiais.

O uso de embalagens sustentáveis deixou de ser uma tendência para se tornar uma exigência do mercado e dos consumidores. Com o aumento da conscientização ambiental, empresas do ramo têm buscado alternativas que reduzam o impacto ecológico sem comprometer a qualidade da entrega e a experiência do cliente.

Materiais como papel reciclável, bioplásticos, feitos a partir do bagaço de cana-de-açúcar, da fibra de coco, e compostáveis à base de amido vem ganhando espaço por sua capacidade de decomposição rápida, o que evita o acúmulo de resíduos em aterros sanitários e contribui com a economia circular.

Além dos benefícios ao planeta, essas soluções fortalecem a imagem das marcas, posicionando-as como agentes de transformação e inovação sustentável. Inclusive, essa tem sido a virada de chave para muitas empresas que não querem suas marcas associadas à colaboração da degradação do planeta. 

Segundo Gabriela Amparo, Gerente de Marketing da Paper Cup, investir em embalagens ecológicas é mais do que uma escolha responsável — é um diferencial competitivo. “À medida que o consumidor se torna mais exigente, optar por práticas alinhadas à preservação do planeta se traduz em valor agregado, fidelização e reputação positiva para as marcas”.

A empresa apresentou, na Fispal Food Service, copos, pratos, potes para sorvetes, e talheres de papel recicláveis e compostáveis, além de bandejas, como opção de substituição ao isopor nos mercados e hortifrutis. 

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Novidades em embalagens sustentáveis

Outro expositor que apresentou opções de embalagens sustentáveis na fei ra foi o Já Fui Mandioca, que tem como base, embalagens feitas a partir da mandioca brava, raiz não comestível. A Fispal Food Service e Fispal Sorvetes 2026 marcou a segunda participação da empresa no evento.

A marca usa matéria-prima cultivada por agricultura familiar e se destaca pela produção de embalagens compostáveis que podem ser utilizadas para sorvetes, saladas e bowls de comidas frias.

Segundo Ademar Soares, representante comercial da empresa, a embalagem oferecida ao mercado “é compostável no ambiente natural, não precisa de nenhum processo industrial”. A empresa afirma que o produto se decompõe entre 15 dias e 90 dias, virando adubo. A linha potEcos® conclui esse processo em até 7 dias.

Outro número: as “bioembalagens” de mandioca consomem cerca de 100x menos água comparado a embalagens plásticas, e até 480x contra as embalagens de papel. Os produtos são veganos e não emitem CO2 em sua fabricação, e a empresa trabalha com laudos e certificados que garantem a eficiência das embalagens.

Atendendo principalmente o mercado de sorvetes, bistrôs e delivery, a empresa oferece personalização completa. Como destaca Ademar, “quem vai comprar uma embalagem como a nossa quer comprar um conceito e não a embalagem” – unindo sustentabilidade, funcionalidade e identidade de marca.

Embalagens sustentáveis para delivery

Também expondo na Fispal Food Service 2026, a Paki Embalagens atende o mercado de delivery, com opções sustentáveis principalmente em papel. Sandro Carvalho, diretor da empresa, garante que 100% do material utilizado é proveniente de reflorestamento e tem certificação FSC. 

Entre as soluções apresentadas pela Paki no evento estão o box com tampa móvel, a linha selada (com sistema de fechamento ideal para congelados), o bowl para poke e caixas para salgados e doces.

Outro diferencial em prol da sustentabilidade é a participação no programa eureciclo. “Cada unidade que a gente consegue comercializar tem um percentual destinado aos catadores para retirar o mesmo peso dos lixos”, afirma Sandro. Ele também reconhece os desafios do setor: “não são todas as empresas com essa consciência ambiental, muitas se orientam apenas pelo preço”.

É relevante considerar a falta de infraestrutura das cidades brasileiras para lidar com coleta seletiva e reciclagem, além do papel do consumidor final em fazer o descarte correto. “Fazemos a nossa parte dentro da cadeia, e vamos torcer para que todo mundo colabore para trazer melhorias”, finaliza o diretor.

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Mais opções de materiais sustentáveis

Outro expositor com embalagens sustentáveis na Fispal Food Service 2026 foi a FNS Embalagens, que já soma 30 anos de atuação no setor. Segundo Helena Vargas Cabeda, gerente de marketing, a empresa “foi a primeira que começou a trabalhar com embalagens sustentáveis no Brasil, trazendo o bagaço vegetal, que é 100% compostável, feito de fibras de plantas”. 

O portfólio é diversificado e inclui bambu, papel com certificação FSC rastreável e PLA (bioplástico de amido de milho) em copos, tampas e embalagens biobased.

O lançamento nessa edição é o copo waterbased. Como explica Helena, “ele é feito com barreira à base de água, tão seguro para líquidos quentes quanto os demais copos, só que ele é compostável em composteira doméstica” – diferentemente do PLA, que exige compostagem industrial, ainda escassa no Brasil.

Além do setor de alimentos e bebidas, a FNS atende consultórios médicos e outros negócios que buscam personalização e opções sustentáveis. “A gente cuida de trabalhar sempre com fornecedores que também estejam atentos à sustentabilidade e aos cuidados com o meio ambiente”, reforça Helena, evidenciando o compromisso com a economia circular.

Plástico ainda como opçāo

Dentro da Fispal, muitos estandes de embalagens plásticas ainda são encontrados, porém, uma nova estrela da categoria ganha espaço: o plástico biodegradável.

Diferente do plástico convencional (derivado do petróleo e resistente à decomposição por séculos), os plásticos biodegradáveis são criados para se decompor mais rapidamente, muitas vezes em condições específicas, com impacto ambiental muito menor.

Eles podem ser feitos a partir de matérias-primas renováveis (amido de milho, bagaço de cana de açúcar, óleo de coco, entre outros) e até resíduos orgânicos. Alguns desses materiais já estão sendo transformados em embalagens resistentes, flexíveis, seguras para alimentos e visualmente atrativas. 

A Prack, em parceria com a Eco Ventures, foi um dos estandes que apresentou soluções em embalagens de plástico biodegradável. Yago Nunes, vendedor técnico do produto, explica um pouco sobre o processo: “nós pegamos derivados do petróleo, como polietileno, polipropileno, poliestireno e transformamos eles em materiais biodegradáveis ao meio-ambiente.

E quando esse material entra em contato com as intempéries, que são sol, chuva, umidade, ele faz o processo de biodegradação, resultando no final da sua decomposição em água, CO2 e humos. Não deixando o famoso microplástico no meio ambiente“.

Nunes ainda diz que a soluçāo, além de biodegradável, é também reciclável, podendo ir tanto para o lixo reciclável ou aterro comum, levando entre 10 e 12 anos para se decompor, tempo inferior, ante os 200 a 600 anos que os derivados de petróleo levam. 

De acordo com alguns especialistas do setor presentes na feira, adotar embalagens biodegradáveis não é só uma escolha ecológica, é uma estratégia de posicionamento de marcas. Empresas que se alinham com a sustentabilidade conquistam o consumidor da nova geração, que prefere pagar mais e se fidelizar à produtos que respeitam o planeta. Além disso, leis e políticas públicas estão cada vez mais restritivas com plásticos convencionais. Em outras palavras: quem não se adaptar, ficará para trás.

Podemos dizer que esse nicho está em expansão? Sim, os números sāo promissores: o mercado global de bioplásticos deve ultrapassar US$30 bilhões até 2030; marcas conscientes estão migrando para embalagens verdes não só por pressão regulatória, mas também por exigência do consumidor. O Brasil, com sua biodiversidade e indústria agro potente, tem tudo para ser líder mundial nesse setor.

Em termos econômicos, a produção do plástico biodegradável ainda é mais cara que o plástico tradicional, e a logística de descarte (compostagem, reciclagem correta) precisa de infraestrutura. Mas como todo mercado emergente, os obstáculos são também campos férteis para a inovação. Startups, indústrias e centros de pesquisa estão se movimentando para criar soluções escaláveis e acessíveis.

Agora que você conheceu as embalagens sustentáveis, descubra também as tecnologias das embalagens inteligentes.

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