

Embora a chegada de cubanos pela fronteira com a Guiana, a Leste do Estado, tenha se revelado mais um problema para Roraima se preocupar, a migração venezuelana ainda segue como principal desafio. Dados disponíveis oficialmente nas organizações que lidam com migração indicam que chegam ao Estado entre 300 a 500 venezuelanos diariamente, número bem menor dos 2 mil registrados no auge da crise migratória a partir de 2018.
Os impactos da crise migratória venezuelana são amenizados pela atuação da Operação Acolhida, que começa o atendimento ainda fronteira, no Município de Pacaraima, com a realocação de pessoal, vacinação e regularização de documentos, além do abrigamento na Capital. Em seis anos, o serviço atendeu a cerca de 1 milhão de venezuelanos, os quais têm a opção de serem interiorizados para outros municípios brasileiros com o propósito de recomeçarem suas vidas.
Coordenada pelo Ministério de Desenvolvimentos Social do governo brasileiro, com apoio da Agência das Nações Unidas para as Migrações (OIM), a Operação Acolhida pode servir de exemplo sobre como atuar diante dessa nova realidade da imigração cubana, uma vez que pesquisas indicam que esses estrangeiros não querem ficar em Roraima, mas regularizarem sua situação para que possam seguir viagem para outros países da América do Sul que falam espanhol ou mesmo Canadá.
Com a expertise adquirida no acolhimento a venezuelanos, o mesmo modelo pode ser adotado em relação aos cubanos, que precisam passar por esse acolhimento a fim de que sejam reconhecidos oficialmente como refugiados e assim possam chegar a um processo de transferência para outro país que concorde em recebê-los aos mesmos moldes da interiorização adotada no Brasil. Aqui entra a questão de vontade política visando encarar esse novo desafio para que a conta outra vez não caia no colo dos roraimenses.
Não pode ser esquecido que, neste ano, após uma longa batalha judicial e política, o Estado de Roraima e o Governo Federal chegaram a um acordo para o repasse de R$ 115 milhões aos cofres estaduais destinado a custear os impactos da migração venezuelana, com os recursos sendo direcionados para Segurança Pública, Saúde, Educação e Sistema Prisional, setores severamente atingidos pela migração em massa. Até aqui, os roraimenses pagaram uma conta muito alta com essa crise migratória.
Enquanto em Roraima não se consegue sequer pacificar a política por meio de uma eleição suplementar que provocou mais problemas do que solução, a questão da migração precisa ser pauta obrigatória diante da chegada de cubano em busca de uma nova oportunidade de vida.
*Colunista
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