Brasil atualiza lista de espécies ameaçadas e inclui 180 novos animais



O Brasil atualizou a Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção após uma nova rodada de avaliações conduzidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. O documento, que substitui a versão anterior publicada em 2022, amplia o retrato da situação da biodiversidade no país e reforça a urgência de ações de conservação.

Ao todo, 180 espécies ou subespécies foram incluídas na lista, entre elas a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), agora classificada como Vulnerável (VU), o bugio-preto (Alouatta caraya) e o tamanduaí (Cyclopes rufus). Por outro lado, 150 espécies deixaram de integrar o levantamento, refletindo mudanças nos critérios e no estado de conservação.

O novo documento contabiliza 790 espécies ou subespécies ameaçadas de extinção. Além disso, apresenta uma lista paralela com nove espécies oficialmente consideradas extintas no país.

Diversidade sob risco

O levantamento abrange diferentes grupos da fauna terrestre brasileira, incluindo mamíferos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados. As espécies foram classificadas em categorias que indicam o grau de ameaça: Vulnerável (VU), Em Perigo (EN), Criticamente em Perigo (CR), Possivelmente Extintas (CR-PE) e Extinta na Natureza (EW).

Os dados mostram que a maior parte das espécies ameaçadas é composta por invertebrados terrestres, somando 264 registros. Na sequência aparecem aves (242), répteis (123), mamíferos (102) e anfíbios (59).

Já a lista de espécies extintas inclui seis aves, dois anfíbios e um mamífero — o roedor de Vespucci (Noronhomys vespuccii), que habitava o arquipélago de Fernando de Noronha.
Os peixes e invertebrados aquáticos não fazem parte deste documento específico. Eles integram uma lista própria, também atualizada em 2026 e divulgada anteriormente, no mês de abril.

Instrumento para conservação

Segundo o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, a atualização é essencial para orientar políticas públicas e estratégias de preservação.

“A lista reconhece, perante a nossa sociedade e o mundo, a situação das espécies brasileiras e também abre caminho para a construção de planos de recuperação e de conservação”, afirmou.

O presidente do ICMBio, Mauro Pires, destacou o esforço técnico envolvido no trabalho e a capacidade brasileira de monitorar sua biodiversidade em larga escala. “Poucos países no mundo têm a capacidade de avaliar sua biodiversidade na escala que o Brasil faz hoje”, disse.

Construção coletiva

A atualização da lista é resultado de um trabalho conjunto entre o poder público, a comunidade científica e organizações da sociedade civil. O processo envolve análise criteriosa de dados sobre distribuição, população e ameaças enfrentadas pelas espécies.

O documento serve como base para ações de conservação, definição de prioridades e criação de políticas ambientais, sendo considerado um dos principais instrumentos para a proteção da fauna brasileira.

A lista completa está disponível na publicação oficial do Diário Oficial da União.

(FONTE: Agência Brasil)



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