Soberania popular


Não há soberania popular quando um país se verga aos interesses de outros.

Antes mesmo de se eleger para cumprir o seu segundo mandato — e certamente o último — enquanto candidato à presidência dos EUA, Donald Trump não escondia, ou mais precisamente, já revelava que faria de tudo para ser coerente com o seu slogan: “America First” (A América Primeiro).

Nada contra, contanto que o mesmo não pretendesse submeter os demais países à sua submissão, que é justamente o que ele continua insistindo em fazer. A propósito, os seus tarifaços expressam bem essa dura e crua realidade.

Decerto, presidindo a maior potência do mundo e pretendendo usar e abusar dos seus poderes — particularmente os econômicos, os tecnológicos e os bélicos —, Donald Trump ainda não se deu conta de que a doutrina que pretende implantar em todo o mundo não se materializará. Isso porque a autodeterminação dos povos, enquanto princípio fundamental e basilar do direito internacional, garante o direito de qualquer grupo humano decidir livremente o seu status político e a sua organização econômica.

Lamentavelmente, dado o seu jeito de ser e de agir, Donald Trump em muito tem contribuído para a desarmonia mundial, posto que o que lhe vem à telha em nada ajuda a harmonizar os países, mas, sim, só tem provocado discórdias.

Neste particular, ao longo dos últimos 200 anos de uma convivência pacífica e harmoniosa, o relacionamento EUA-Brasil nunca esteve tão ruim. E por quê? Porque o presidente Donald Trump, a exemplo do que tem feito com seus vizinhos, México e Canadá, com os países da União Europeia e com o nosso país, assim como no Oriente Médio — neste caso, seguindo o belicoso Benjamin Netanyahu —, está pondo o mundo às portas de guerras.

Logicamente, a aproximação Brasil-China em muito tem incomodado o presidente Donald Trump, até porque, sendo o Brasil o país mais importante do continente latino-americano e pelo que a própria China tem feito em favor do seu desenvolvimento — a exemplo do megaporto que construiu no Peru —, para os EUA nada poderia ser mais ameaçador.

Como entre países não existem apenas amizades, mas sobretudo interesses, neste particular os EUA, por determinação do seu presidente Donald Trump, vêm nos empurrando em direção à China. Enquanto isso, o presidente Lula, muito oportunamente, não tem se vergado, mas, sim, saído em defesa da nossa soberania e dos nossos superiores interesses.

Nada contra as relações EUA-Brasil, contanto que a nossa autodeterminação não venha a ser comprometida. Afinal de contas, não podemos ser tratados como uma republiqueta, entre as tantas que continuam rezando na cartilha do próprio presidente Trump.



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