O Acre permanece entre os estados brasileiros com crescimento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), segundo o novo Boletim InfoGripe, divulgado nesta semana pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O estado figura entre as 14 unidades da federação que apresentam incidência em nível de alerta, risco ou alto risco, com sinal de aumento dos casos nas últimas seis semanas.
A situação também é observada em Rio Branco. A capital acreana está entre as 11 capitais do país que registram crescimento dos casos de SRAG na tendência de longo prazo, de acordo com a análise referente à Semana Epidemiológica 23, que compreende o período de 7 a 13 de junho.
O boletim aponta que o aumento das internações no Brasil tem sido impulsionado principalmente pela circulação dos vírus influenza A e B entre jovens, adultos e idosos. Entre as crianças pequenas, o principal responsável pelos casos graves continua sendo o vírus sincicial respiratório (VSR).
Apesar de permanecer entre os estados em alerta, a Fiocruz observa que os casos de SRAG associados ao VSR no Acre continuam elevados, mas já apresentam sinais de interrupção do crescimento ou início de queda.
Vacinação é principal recomendação
Diante do cenário, a Fiocruz reforça a importância da vacinação contra a gripe, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com comorbidades.
Segundo a pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da instituição, a vacina contra a influenza protege contra os vírus influenza A e B, que atualmente estão entre os principais responsáveis pelas hospitalizações por SRAG no país.
A especialista também recomenda a vacinação de gestantes a partir da 28ª semana de gravidez contra o vírus sincicial respiratório, medida que ajuda a proteger os bebês contra complicações causadas pela doença.
Além disso, a Fiocruz orienta que idosos e pessoas imunocomprometidas mantenham a vacinação contra a Covid-19 atualizada, diante do leve aumento de casos observado em alguns estados.
Crescimento em várias regiões do país
O levantamento mostra que 14 estados apresentam crescimento dos casos de SRAG nas últimas semanas: Acre, Alagoas, Amapá, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pará, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e São Paulo.
Entre as capitais com tendência de crescimento estão Rio Branco, Belém, Belo Horizonte, Boa Vista, Campo Grande, Curitiba, Florianópolis, Macapá, Porto Alegre, São Luís e Vitória.
Já outras 12 capitais seguem com incidência em níveis de alerta, risco ou alto risco, mas sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo.
Influenza lidera entre os óbitos
Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, o vírus sincicial respiratório respondeu por 51,4% dos casos positivos de SRAG registrados no país. A influenza A apareceu em 19,1% dos casos e a influenza B em 7,1%.
Quando analisados os óbitos, a influenza A se destaca como a principal causa entre os vírus identificados. Ela esteve presente em 43,7% das mortes por SRAG com resultado laboratorial positivo no período.
Em 2026, o Brasil já contabilizou 89.725 casos de SRAG e 3.842 mortes associadas à síndrome. Entre os óbitos com confirmação para vírus respiratórios, 41,7% tiveram relação com a influenza A.