As despesas com produtos básicos continuam pressionando o orçamento das famílias acreanas. Levantamento divulgado esta semana pela Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan) mostra que o custo das cestas de alimentação, higiene pessoal e limpeza doméstica já consome quase metade do salário mínimo recebido pelos trabalhadores de Rio Branco.
Segundo a pesquisa, o valor conjunto das três cestas alcançou R$ 720,65 em maio. O montante corresponde a 44,5% do salário mínimo bruto de R$ 1.621. Quando considerados os descontos previdenciários, o comprometimento sobe para 48,1% da renda líquida do trabalhador.
O percentual revela que praticamente metade do salário mensal é destinada apenas à compra de itens considerados essenciais para a manutenção das famílias.
Alta foi puxada pelos alimentos
O aumento dos custos foi impulsionado principalmente pela cesta alimentar, que atingiu R$ 608,91 em maio, registrando alta de 2,12% em relação ao mês anterior.
Entre os produtos que mais pressionaram os preços está o tomate, que apresentou aumento de 10,30%. Também registraram alta o arroz (5,92%), o leite (2,82%) e o feijão (2,43%).
Dos 14 produtos que compõem a cesta alimentar, nove ficaram mais caros no período analisado.
Em contrapartida, alguns itens registraram redução de preços, como a farinha de mandioca (-4,37%), o café (-2,83%) e a manteiga (-1,82%).
Mais horas de trabalho para comprar o básico
O levantamento aponta ainda que um trabalhador precisou dedicar 97 horas e 48 minutos de trabalho para adquirir as três cestas básicas em maio.
O tempo representa aumento de 1 hora e 37 minutos em comparação com abril e demonstra o avanço do custo de vida na capital acreana.
Família precisa de mais de R$ 2,5 mil por mês
Para uma família composta por dois adultos e três crianças, a estimativa de gastos mensais com alimentação, higiene e limpeza chegou a R$ 2.522,29.
O valor corresponde a aproximadamente 1,56 salário mínimo e evidencia o peso das despesas básicas no orçamento familiar.
Alta acumulada supera 9%
De acordo com a Seplan, o custo das três cestas acumula aumento de 9,1% nos últimos seis meses em Rio Branco.
O estudo atribui a elevação dos preços a fatores como redução da oferta de alguns produtos, condições climáticas adversas e aumento dos custos de produção, especialmente no caso de alimentos como tomate, leite e feijão.
Com os reajustes registrados nos últimos meses, os produtos básicos continuam ocupando uma parcela significativa da renda dos trabalhadores acreanos.