Comprar os produtos básicos necessários para alimentação, higiene pessoal e limpeza doméstica exigiu quase 98 horas de trabalho dos moradores de Rio Branco em maio. O dado faz parte de levantamento divulgado pela Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan), que aponta um aumento no tempo necessário para custear as despesas essenciais das famílias.
Segundo a pesquisa, um trabalhador precisou dedicar 97 horas e 48 minutos de serviço para adquirir as três cestas básicas analisadas no estudo. O tempo representa um aumento de 1 hora e 37 minutos em relação ao mês anterior.
O crescimento está diretamente ligado à alta dos preços registrada em maio. O custo conjunto das cestas alimentar, de limpeza doméstica e de higiene pessoal chegou a R$ 720,65, valor 1,69% superior ao observado em abril, quando o total era de R$ 708,67.
A maior pressão veio da alimentação. A cesta alimentar atingiu R$ 608,91 e registrou aumento de 2,12% no mês.
Tomate lidera aumento dos preços
Entre os produtos pesquisados, o tomate foi o item que apresentou a maior alta, com variação de 10,30%. Também registraram aumento o arroz (5,92%), o leite (2,82%) e o feijão (2,43%).
Dos 14 produtos que compõem a cesta alimentar, nove ficaram mais caros durante o período analisado.
Em contrapartida, alguns itens apresentaram redução nos preços. A farinha de mandioca teve queda de 4,37%, o café recuou 2,83% e a manteiga ficou 1,82% mais barata.
Quase metade do salário comprometida
O levantamento mostra ainda que o custo das três cestas básicas corresponde a cerca de 44,5% do salário mínimo bruto de R$ 1.621.
Quando considerado o salário líquido, após os descontos previdenciários, o comprometimento sobe para 48,1%, fazendo com que quase metade da renda mensal seja destinada apenas à compra de itens essenciais.
Família precisa de mais de R$ 2,5 mil por mês
Para uma família composta por dois adultos e três crianças, a estimativa de gastos com alimentação, higiene e limpeza chegou a R$ 2.522,29 em maio.
O valor equivale a aproximadamente 1,56 salário mínimo e evidencia o peso das despesas básicas no orçamento familiar.
Os dados da Seplan mostram que o custo das três cestas acumula aumento de 9,1% nos últimos seis meses em Rio Branco.
Segundo o estudo, fatores como redução da oferta de alguns alimentos, condições climáticas adversas e aumento dos custos de produção contribuíram para a elevação dos preços observada nos últimos meses.