A violência doméstica tem atingido com maior frequência mulheres de baixa renda em Rio Branco. É o que aponta a primeira Pesquisa de Vitimização da capital, que identificou índices mais elevados desse tipo de crime entre mulheres com renda familiar de até dois salários mínimos.
Segundo o levantamento, 7,3% das mulheres rio-branquenses com mais de 16 anos afirmaram ter sofrido violência doméstica nos últimos 12 meses. O percentual representa milhares de vítimas na capital e evidencia a dimensão do problema em diferentes regiões do município.
Os dados mostram que a ocorrência é mais frequente entre mulheres em situação de maior vulnerabilidade econômica e residentes em áreas periféricas da cidade.
A pesquisa também identificou diferenças entre as regiões de Rio Branco. A Baixada apresentou os maiores índices de relatos de violência doméstica, superando a média registrada no município.
De acordo com o estudo, os números reforçam a concentração do problema em áreas marcadas por maior vulnerabilidade social.
Subnotificação preocupa
Além dos registros de violência, o levantamento chama atenção para a subnotificação dos casos. Muitas vítimas não procuram os órgãos de segurança pública ou a rede de proteção para formalizar denúncias, o que faz com que parte das ocorrências não apareça nas estatísticas oficiais.
Embora a pesquisa não tenha investigado os motivos da falta de denúncias, especialistas costumam apontar fatores como dependência financeira, medo de represálias, presença de filhos e dificuldades de acesso à rede de proteção como barreiras enfrentadas por vítimas de violência doméstica.
A Pesquisa de Vitimização foi realizada entre fevereiro e abril de 2026 e ouviu moradores de diferentes regiões de Rio Branco sobre experiências relacionadas à violência, segurança pública e percepção do trabalho das instituições responsáveis pelo enfrentamento da criminalidade.