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Sim, o Brasil tem terremotos. Se você já sentiu um tremor de terra no país, saiba que não foi imaginação. Embora o Brasil esteja longe das bordas de placas tectônicas, onde ocorrem os abalos mais devastadores, a imensa placa que nos sustenta sofre pressões internas que, ao serem liberadas, geram os tremores sentidos pela população em diversas regiões.
Os sismos que acontecem por aqui são classificados como intraplaca. Eles ocorrem devido ao acúmulo de tensão em falhas geológicas, que são grandes fraturas na crosta terrestre. Com o passar de milhões de anos, essa pressão se torna tão intensa que a rocha se rompe, liberando energia em forma de ondas sísmicas, o que faz o chão tremer.
A grande maioria dos tremores no Brasil é de baixa a moderada magnitude, geralmente abaixo de 5 na escala Richter. É importante notar a diferença entre magnitude, que mede a energia liberada no epicentro (escala Richter), e intensidade, que descreve os efeitos do tremor em um local específico. Na prática, isso significa que eles podem assustar, balançar janelas e objetos, mas raramente têm força suficiente para causar danos estruturais graves. O maior terremoto já registrado no país ocorreu em 1955, no Mato Grosso, com magnitude de 6,2.
Quais as áreas com mais atividade sísmica?
Apesar de poderem ocorrer em qualquer lugar, algumas áreas do Brasil registram abalos com mais frequência devido às suas características geológicas. A Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) monitora constantemente a atividade no país. As principais zonas são:
- Região Nordeste: especialmente nos estados do Ceará e Rio Grande do Norte. A Falha de Samambaia, em território potiguar, é uma das áreas sismicamente mais ativas do país.
- Sudeste: o norte de Minas Gerais é uma área com registros recorrentes. Regiões de São Paulo e do sul fluminense também apresentam atividade.
- Centro-Oeste: o estado de Mato Grosso, principalmente na Serra do Tombador, registra um número significativo de pequenos tremores. A região continua sismicamente ativa; em janeiro de 2026, por exemplo, um sismo de magnitude 2,1 foi registrado próximo a Barão de Melgaço.
- Norte: o Acre é um caso particular. Por sua proximidade com a Cordilheira dos Andes, o estado costuma sentir os reflexos de terremotos mais fortes que acontecem em países vizinhos, como o Peru. Esses abalos de origem andina podem atingir magnitudes superiores aos sismos intraplaca registrados em outras partes do Brasil.
Como relatar um tremor?
Caso sinta um abalo, é possível contribuir com a ciência e ajudar no monitoramento. A Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), em seu site oficial, possui o formulário “Sentiu um tremor?”, onde a população pode relatar sua experiência, fornecendo dados valiosos para os geólogos.
*Estado de Minas