Projeto propõe triagem obrigatória para identificação precoce do autismo no SUS


Crianças de até cinco anos atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) poderão passar por triagem obrigatória para identificação precoce do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e de outros transtornos do neurodesenvolvimento. A medida está prevista no Projeto de Lei (PL) 2.413/2026, apresentado pela senadora Roberta Acioly (Republicanos-RR).

A proposta apresentada nesta semana altera a Lei nº 12.764/2012, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, para tornar obrigatória a realização da triagem do desenvolvimento infantil no âmbito do SUS.

Pelo texto, a avaliação deverá ocorrer de forma sistemática durante consultas de puericultura e outros atendimentos regulares da atenção básica, utilizando instrumentos padronizados definidos pelo Ministério da Saúde.

A senadora Roberta Acioy é autora do projeto (Foto: Divulgação)

Encaminhamento prioritário

Um dos principais pontos da proposta é a determinação de que crianças que apresentem sinais de risco para transtornos do neurodesenvolvimento sejam encaminhadas prioritariamente para avaliação por equipe multiprofissional especializada.

O projeto também estabelece que pais ou responsáveis sejam previamente informados sobre a realização da triagem e orientados sobre a finalidade do procedimento.

Além disso, prevê que a implementação da medida ocorra de forma gradual em todo o país, por meio de cooperação entre União, estados, Distrito Federal e municípios.

Outra diretriz incluída no texto é a articulação entre os serviços de saúde, educação e assistência social para garantir acompanhamento adequado às crianças identificadas com sinais de risco.

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Diagnóstico precoce

Na justificativa do projeto, a senadora argumenta que a identificação precoce de alterações no desenvolvimento infantil é fundamental para ampliar as chances de intervenções eficazes e melhorar a qualidade de vida das crianças e de suas famílias.

Segundo Roberta Acioly, a proposta busca reduzir o tempo entre o surgimento dos primeiros sinais e o acesso ao atendimento especializado.

“Quando falamos de autismo, o tempo importa muito. Por isso, apresentei o Projeto de Lei 2.413/2026 para tornar obrigatória no SUS a triagem do desenvolvimento infantil em crianças de até 5 anos. O objetivo é identificar mais cedo sinais de autismo e de outros transtornos do neurodesenvolvimento, ainda nas consultas de rotina da Atenção Básica. Isso não é para rotular a criança, é para cuidar mais cedo, orientar as famílias e garantir encaminhamento prioritário para avaliação especializada”, afirmou.

A parlamentar destacou que muitas famílias enfrentam uma longa espera até obter um diagnóstico e iniciar o acompanhamento adequado. “Muitas mães passam anos buscando respostas. E quando o diagnóstico demora, a criança também demora a receber o acompanhamento necessário. Meu projeto quer mudar essa realidade. Com identificação precoce, acolhimento e cuidado adequado, a gente protege a infância, apoia as famílias e dá mais oportunidade para cada criança se desenvolver”, completou.

O texto destaca ainda que, em muitos casos, o diagnóstico do autismo e de outros transtornos do neurodesenvolvimento ocorre de forma tardia no Brasil, dificultando o acesso rápido ao tratamento e ao suporte especializado.

O projeto ainda será analisado pelas comissões do Senado Federal antes de seguir para votação. Caso seja aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado, passará a integrar os protocolos de acompanhamento infantil realizados pelo SUS em todo o país.



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