Moda amazônica ganha projeção global com Maurício Duarte


Manaus – A moda amazônica alcançou um novo patamar no cenário mundial. Natural de Manaus, Maurício Duarte é o estilista do povo Kaixana que vem conquistando espaço e reconhecimento internacional, ampliando as vozes e representatividade dos povos Amazônicos.

Foto: Reproduçãpo Glocal Expirence

Formado em Moda pela Faculdade Santa Marcelina, a tragetória do estilista não é recente, Maurício iniciou sua carreira na adolescência por meio da costumização de camisetas e criação da sua marca homônima em 2013.

O amazonense defende que é por meio das mãos que o afeto é transmitido e, com esse pensamento, entrou para a lista Forbes Under 30 Brasil, em 2022. Ele também já participou duas vezes da São Paulo Fashion Week, tornando-se o primeiro estilista amazonense no line-up oficial do evento.

Maurício também carrega na trajetória a confecção de peças para a primeira-dama Janja, na capa da revista ELA em 2023, e para a atriz Angelina Jolie durante sua passagem pelo Brasil no ano passado.

O poder da ancestralidade e da tradição

Em entrevista à Vogue Brasil, o estilista indígena compartilhou que tudo começou quando tinha 15 anos e acompanhava sua mãe em feiras de artesanato em Manaus.

Mostrando o poder da tradição, ele comenta que desde cedo via sua mãe esculpir e vender peças de decoração em madeira, além citar a avó e tia como duas grandes inspirações na costura.

“Para nós, o artesanato é um saber ancestral, que não pode ser perdido, mas é também uma necessidade de subsistência. Muitas das nossas técnicas são extremamente ancestrais, mas, no dia a dia, você cria o que for preciso para conseguir trabalhar”, afirmou o estilista à Vogue Brasil.

As peças de Maurício são pintadas pintadas e costuradas manualmente, refletindo a preocupação na representação sobre o encontro entre as florestas de suas origens indígenas e o contexto das metrópoles.

(Foto: Ze Takahashi/ @agfotosite)

Ele também defende o movimento do slow fashion, que defende o consumo consciente e contrapõe a produção em massa do fast fashion.

Nascido em Manaus, o estilista viveu parte da infância em Iranduba, município localizado a cerca de 40 quilômetros da capital amazonense, em uma comunidade formada por indígenas e povos ribeirinhos. Mais tarde, retornou com a família para Manaus.

Ele chegou a cursar desenho industrial, mas mudou de rumo após vencer um concurso de vitrinismo promovido pelo SENAI, conquista que lhe garantiu uma bolsa para estudar moda na Faculdade Santa Marcelina.

Em 2019, ano de sua formatura, Maurício se mudou para São Paulo e abriu seu primeiro ateliê. Em entrevista à Vogue Brasil, ele também destacou que as dificuldades para encontrar representatividade dos povos originários ainda são evidentes, inclusive em Manaus.

“Em Manaus, não se fala muito sobre ser indígena, exceto quando são pessoas que vivem em contexto aldeado. Acabamos achando que nossas vivências são menos válidas por termos saído da aldeia, mas muitas vezes isso não é uma escolha”, contou o estilista.

O estilista também afirma que não deseja ser reduzido ao rótulo de “estilista indígena” ou “manauara”. Segundo ele, sua trajetória representa a continuidade do legado de seus ancestrais, mas sem repetir as mesmas dificuldades e o apagamento enfrentado pelas gerações anteriores.

Com informações da VOGUE Brasil.





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