EUA e Paquistão querem acordo neste domingo (14); veja Irã


Via Folha de São Paulo – Líderes dos Estados Unidos e do Paquistão querem a assinatura, ainda neste domingo (14), do acordo para encerrar o conflito no Oriente Médio, mas Teerã ainda não confirmou o cronograma.

Autoridades do regime, inclusive, endureceram o discurso após e Israel voltar a bombardear os subúrbios de Beirute, reduto do Hezbollah. Segundo a agência estatal de mídia do Líbano, duas pessoas morreram.

O presidente Donald Trump voltou às redes sociais mais cedo neste domingo (14), data em que completa 80 anos, para afirmar que um acordo seria assinado ainda hoje. A declaração foi feita na Truth Social, enquanto negociadores do Qatar desembarcavam em Teerã para tentar concluir as tratativas.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, também disse que seu governo se preparava para uma assinatura eletrônica do acordo, seguida por negociações técnicas nas próximas semanas.

O principal negociador de Teerã, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que os ataques colocam em dúvida a capacidade ou a disposição dos EUA de cumprir seus compromissos. Em um post no X, ele ainda advertiu que será impossível continuar avançando nas negociações caso os compromissos assumidos não sejam cumpridos.

Mais cedo, antes do bombardeio, a agência estatal Fars, citando autoridades a par das conversas, informou neste domingo que Teerã ainda não tinha tomado uma decisão final sobre o texto.

No sábado, um porta-voz do regime evitou estabelecer um prazo para a conclusão das negociações. Segundo um funcionário iraniano de alto escalão ouvido pela Reuters, a minuta prevê que os EUA liberem US$ 25 bilhões em ativos iranianos congelados, enquanto o Irã se comprometeria a não produzir nem adquirir armas nucleares.

Trump escreveu anteriormente na Truth Social que, após a assinatura de um acordo, estreito de Hprmuz, bloqueado por Teerã desde o início do conflito, seria imediatamente “aberto a todos”.

Assim que a via marítima fosse reaberta, os EUA levantariam seu bloqueio naval aos portos iranianos, segundo autoridades de todos os lados do conflito.

As conversas sobre o programa nuclear iraniano, justificativa apresentada por Trump para a guerra e um dos pontos mais sensíveis das negociações, ocorreriam posteriormente.

Em manifestações pró-governo realizadas na noite de sábado em diversas cidades iranianas, grupos da linha dura protestaram contra o acordo. Segundo um morador de Mashhad ouvido pela Reuters, manifestantes gritaram “Morte ao conciliador”, em aparente referência ao chanceler Abbas Araghchi, além de pedir sua renúncia.

Israel anunciou neste domingo ataques contra alvos do Hezbollah nos subúrbios de Beirute, após acusar o grupo extremista aliado de Teerã de disparar três projéteis contra o norte do país.

A agência estatal de notícias do Líbano informou que duas pessoas morreram e quatro ficaram feridas.

Na semana passada, um ataque israelense contra os subúrbios da capital libanesa desencadeou uma troca de ataques, aumentando o risco de fracasso de um acordo entre Washington e Teerã para encerrar o conflito mais amplo.

O novo episódio expõe a fragilidade das negociações. Israel insiste em manter sua campanha militar no Líbano, onde já ocupou o território sul do vizinho, enquanto o Irã considera um cessar-fogo que inclua o país uma condição importante para o acordo.

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, tem divergido de Trump sobre a pressão dos EUA para que Israel reduza suas operações militares no Líbano e facilite um entendimento com Teerã.



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