Circuito Junino movimenta centenas de pessoas e quadrilhas chegam a investir R$ 300 mil


O produtor da Liga de Quadrilhas do Acre, Cimar dos Santos, destacou na noite deste sábado, 13, a dimensão do Circuito Junino de Rio Branco e o trabalho coletivo necessário para realizar um dos maiores eventos culturais do estado. Em entrevista ao jornalista Marcos Venicios, do ac24horas, na Praça da Revolução, ele ressaltou a importância da parceria com o poder público e o esforço das comunidades para manter viva a tradição junina.

Segundo Cimar, a organização do circuito envolve uma grande equipe de profissionais e voluntários. “Eu sou um dos produtores, mas a gente tem uma equipe muito grande, formada por mais de 30 pessoas, que trabalha arduamente para que o evento aconteça. Também não poderíamos deixar de falar da Prefeitura de Rio Branco, que é a grande parceira em mais um ano na realização do Circuito Junino”, afirmou.

De acordo com o organizador, o Circuito Junino completa 18 anos de atividades em 2026. Criado em 2007, o evento é responsável pelas competições promovidas pela Liga de Quadrilhas e pela escolha das representantes acreanas para os concursos estadual e nacional.

“Ontem tivemos a abertura do evento com o concurso da realeza da diversidade, da rainha da diversidade, do casal junino e do mirim, além da participação de três quadrilhas competindo. Hoje temos mais três quadrilhas: Bagaceiros do São João, CL na Roça e Sassaricando na Roça. Amanhã teremos apresentações especiais e mais grupos na disputa. Depois encerramos essa etapa e aguardamos o próximo fim de semana para as finais no Quadrilhódromo”, explicou.

Segundo ele, mesmo durante a fase classificatória, alguns grupos ainda preservam surpresas para a etapa decisiva. “Aqui já é competição, mas devido à grandiosidade dos espetáculos, algumas quadrilhas ainda deixam elementos para apresentar somente na final”, destacou.

Questionado sobre o período de preparação das quadrilhas, Cimar revelou que o trabalho acontece praticamente durante todo o ano. “As quadrilhas começam a trabalhar quando encerra a temporada anterior. Em agosto ou setembro já existe uma equipe pensando no novo espetáculo. Todo ano é um tema novo, um figurino novo, uma estrutura nova. Depois vem a pesquisa da temática e o desenvolvimento do projeto. Em novembro o grupo começa a se reunir e, a partir de dezembro e janeiro, iniciam os ensaios. Enquanto uma equipe ensaia, outra prepara figurinos, adereços, repertório e toda a produção para que o espetáculo chegue completo ao público”, relatou.

O produtor também chamou atenção para o alto custo das apresentações e para a cadeia produtiva movimentada pelas quadrilhas juninas. “Hoje uma quadrilha gasta, em média, entre R$ 150 mil e R$ 300 mil por temporada. Cada grupo envolve aproximadamente 150 pessoas trabalhando diretamente no espetáculo, movimentando uma grande cadeia produtiva”, afirmou.

Apesar dos desafios financeiros, Cimar reconheceu o apoio recebido da administração municipal e de outras instituições. “A Prefeitura de Rio Branco tem contribuído para que o espetáculo aconteça, incentiva por meio de recursos para os concursos, apoia os arraiais nas comunidades e ajuda na estrutura para que as quadrilhas consigam arrecadar recursos. Também existem editais e captação de recursos por meio do governo federal. Ainda não é suficiente, porque o espetáculo é muito grande e exige investimentos elevados, mas o Estado e a Prefeitura têm contribuído e isso precisa ser reconhecido”, disse.

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