Em contra-ataque marroquino, Brahím Diaz, do Real Madrid, recebeu no meio-campo e teve muita liberdade para pensar a jogada. Casemiro, volante mais perto do camisa 10 de Marrocos, dormiu e não pressionou o suficiente. Saibari, centroavante do PSV, soube ler a sequência do lance e atacou espaço entre Marquinhos e Gabriel Guimarães em profundidade. Ao ser lançado, cavou em cima de Alisson para abrir o placar.
Vini Jr. tira empate da cartola
Ainda que tenha saído num momento em que o Brasil ensaiava uma melhora na partida depois de sofrer uma série de finalizações nos primeiros dez minutos, o gol de Marrocos expôs a desorganização da seleção brasileira. Com construção ofensiva inoperante, o time mal fazia a bola chegar aos atacantes. Principal nome do esquadrão de Carlo Ancelotti, Vini Jr. pouco havia tocado na bola até os 30 minutos. A exceção foi quando recebeu passe pela esquerda e, no um contra um com Hakimi, superou a marcação do lateral do PSG para cruzar e Igor Thiago perder boa chance ao furar cabeçada.
Ainda assim, inquieto, Vini Jr. fez valer toda a expectativa em cima de sua camisa 7. Pela ponta esquerda, onde se sente mais confortável para fazer a diferença, recebeu passe de Bruno Guimarães em situação de duelo individual com El Aynaoui. Em sua jogada característica, o atacante foi para cima do marcador, cortou para dentro e encheu o pé para superar Bounou e marcar o primeiro gol do Brasil nesta Copa do Mundo.
Alterações de Ancelotti surtem efeito
Depois de descer para o intervalo com um resultado melhor do que o merecido, o Brasil evoluiu com as entradas de Danilo e Fabinho nas vagas dos amarelados Ibañez e Casemiro. Mais organizado, o time esteve mais tranquilo, parou de errar passes e diminuiu consideravelmente o ímpeto marroquino. Mesmo com as boas atuações de Bouaddi, Ounahi e Saibari, o Marrocos não conseguiu encontrar mais espaços no campo de ataque e pareceu se satisfazer com o empate.
A seleção brasileira, por sua vez, sentiu falta de um pouco mais de ousadia dos atacantes. Nem mesmo as entradas de Matheus Cunha e Luiz Henrique fizeram o ímpeto ofensivo crescer. Raphinha, que permaneceu em campo ao longo dos 90 minutos, não foi bem como homem mais avançado do ataque. Se a ideia era aproveitar a boa leitura do camisa 11 para atacar os espaços e encontrar finalizações, o resultado foi uma equipe que não foi capaz sequer de pressionar a troca de passe dos primeiros jogadores da construção marroquina. Assim, o 1 a 1 prevaleceu.
Para a próxima partida, na sexta-feira, às 21h30, contra Haiti, é difícil imaginar uma seleção brasileira com mudanças significativas. É possível que Ancelotti promova as entradas de Danilo na lateral-direita e Matheus Cunha na vaga de Igor Thiago. Mas, mais do que isso, o Brasil precisa rever a dinâmica ofensiva. Ainda que Vini Jr. aparente estar em grande forma física e tecnicamente, o coletivo precisa evoluir nas construções das jogadas.
Considerado o segundo principal jogador desta equipe por Carlo Ancelotti, Raphinha precisa entregar mais. Para tentar maximizar o desempenho do atacante, o técnico italiano desprivilegia o lado direito do setor ofensivo da seleção brasileira, que fica com um buraco — na fase defensiva, esse espaço é ocupado por Lucas Paquetá. Com Cunha como um falso 9, Luiz Henrique e Rayan podem ser uma boa alternativa na vaga do camisa 11. A ver como Ancelotti conduzirá os treinamentos ao longo da semana para tentar melhorar sua equipe.