Dia de Santo Antônio: amor, jornalismo e festas juninas unem casal maranhense


No mês em que o amor ganha espaço entre declarações apaixonadas e promessas feitas a Santo Antônio, Renata Harrisson e Robert Oliveira têm motivos de sobra para celebrar. Jornalistas, integrantes de grupos juninos, apaixonados pela cultura maranhense e nascidos no mesmo dia e mês, eles descobriram que algumas das melhores histórias não são apenas contadas — são vividas. Entre pautas, passos coreografados e bandeirinhas coloridas, construíram uma relação embalada pela parceria e pelas afinidades que compartilham dentro e fora dos arraiais.

Foi nas experiências compartilhadas que a relação encontrou terreno féril para crescer. A admiração pela riqueza das manifestações culturais do Maranhão, tanto no período junino quanto no carnavalesco, aproximou ainda mais o casal, que passou a viver o São João não apenas como observadores ou profissionais da notícia, mas como protagonistas de uma tradição que mobiliza afetos e fortalece vínculos.

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“Eu, por exemplo, danço no Barrica há 2 temporadas e há 1 ano. Renata, no caso, dança no Balaio há 12 temporadas e há 11 anos. É tipo eu dizer que eu e Renata estamos há três temporadas (aniversário de idade) e há dois anos (aniversário de relacionamento) juntinhos!”, contou Robert, em um post de celebração dos aniversários dos dois, em 23 de maio.

No mês em que os maranhenses celebram santos, danças e ancestralidades, Renata e Robert também comemoram a parceria construída a partir do respeito, da cumplicidade e dos interesses em comum. Dividem o entusiasmo diante do início da temporada junina, compreendem as exigências da rotina um do outro e encontram, nas pequenas coincidências da vida, razões para reafirmar a escolha diária de caminhar juntos.

Sob as bênçãos de Santo Antônio

A paixão nasceu na temporada junina. Renata mal sabia, mas era admirada ali, da plateia.

“Eu já tinha tido alguns contatos com ela profissionalmente, porque temos o mesmo ofício, mas o que me fez despertar esse sentimento foi esse contato, eu como público e ela como artista no palco, nas apresentações do Cacuriá de Dona Teté. Quando eu a via no palco, de todas as meninas que dançavam, ela era a que mais me chamava a atenção. Mas, nessa época, ainda era uma paixão meio platônica, de um fã para uma artista”, disse Robert.

Eles costumavam frequentar os mesmos lugares até que, um dia, em uma roda de samba no Centro Histórico, Robert puxou assunto e Renata cedeu. O primeiro beijo aconteceu aos pés da Igreja de Santo Antônio.

“Mesmo sem planejar, a gente já começou com essa bênção, né? Desse santo casamenteiro, o santo dos amantes. Não foi nada planejado, foi como era para ser mesmo.”

Os dois são festeiros. Renata e Robert vêm de famílias que sempre cultivaram o apreço pela cultura popular. Com o tempo, seguiram o mesmo caminho familiar, embora sem saber que essas trajetórias um dia se cruzariam.

“Ela entrou na dança popular há muito mais tempo do que eu, mas eu sempre fui nutrido por essa paixão que sempre me comoveu e me atravessou. Então, falar de Renata e Robert é também falar de Carnaval com o Bicho Terra, que a gente dançou juntos pela primeira vez neste ano. É também falar de São João, porque a gente se encontra nos terreiros juninos. Às vezes, um vai assistir à apresentação do outro; em outras, a gente se encontra já caracterizado, porque primeiro é ela e depois sou eu, e vice-versa, em determinado arraial. Então, acho que não tem como dissociar essas tradições da nossa história individual e da nossa história como casal”, constata Robert.

Respeitando o ritmo do outro

Histórias como a de Renata e Robert caem como uma luva neste mês de junho, porque o São João é, antes de tudo, uma festa coletiva. E amar também é isso: aprender a dançar no ritmo do outro sem perder a própria identidade.

No dia 13, Dia de Santo Antônio, acontece o batizado do grupo do qual Renata participa, o Cacuriá Balaio de Rosas, no Largo de Santo Antônio, no mesmo local onde se beijaram pela primeira vez; e Robert vai abrir mão de suas obrigações para acompanhá-la. Da mesma forma, Renata o acompanhou no dia 12, durante o batizado do grupo de Robert, o Boizinho Barrica.

“A gente se esforça, tenta equilibrar esses pratos, mas sempre mantendo essa tradição de acompanhar um ao outro nesses momentos especiais. Então, certamente, nos dias 12 e 13 — Dia dos Namorados e Dia de Santo Antônio, que é o santo dos amantes — vamos estar juntos, com certeza. Compartilhar dessa mesma paixão é como a gasolina que aumenta o fogo da nossa paixão e também como a água que diminui a temperatura quando a gente precisa, nos momentos difíceis. E a dança faz a gente se reconectar. Sou grato a Deus por esse encontro”, agradeceu Robert.

Para Renata, esse período é de organizar as agendas para criar momentos a dois e, ao mesmo tempo, alegrar-se pelas conquistas do outro, já que os grupos dos quais participam têm agendas extensas e quase nunca compatíveis.

“Se, por um lado, ficamos um pouco separados porque fazemos parte de grupos diferentes, por outro, aquilo faz bem para a gente. Entendemos que somos felizes fazendo isso. Às vezes, nos encontramos em alguns arraiais, conversamos rapidamente, entendemos o tempo do outro e aquilo de que cada um gosta. É muito bom compartilhar essa felicidade juntos, contar sobre as nossas apresentações ao final do dia e perceber que somos felizes com nossas dedicações”, disse Renata.

Amor nas coincidências

No Maranhão, onde o som das matracas anuncia encontros e as bandeirinhas coloridas transformam a paisagem, o amor ganha contornos muito particulares. Ele pode nascer de gostos em comum, fortalecer-se nas rotinas divididas e florescer entre ensaios, apresentações e sonhos compartilhados.

No caso de Renata e Robert, a vida parece ter caprichado nos detalhes. Jornalistas que enxergam o mundo por lentes semelhantes. Companheiros nos festejos juninos. Aniversariantes do mesmo dia. Um casal que descobriu, nas coincidências e nas escolhas cotidianas, uma forma singular de escrever a própria história.

Como nas melhores histórias, Renata e Robert seguem escrevendo a deles a quatro mãos — entre pautas, arraiais e a certeza de que alguns amores parecem mesmo ter sido feitos para dançar juntos.



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