EUA alertam que influenciadores na Copa precisam de visto de trabalho para monetizar vídeos

Entenda por que Virginia Fonseca e Jon Vlogs estão imunes a novas restrições de vistos nos EUA/ Foto: Reprodução

Uma nova diretriz oficial divulgada pelo governo dos Estados Unidos às vésperas da Copa do Mundo de 2026 acendeu um alerta na comunidade de criadores de conteúdo e influenciadores digitais que desembarcaram no país para cobrir o evento. O comunicado esclarece que a produção de fotos e vídeos com o objetivo de monetização ou geração de receita durante a permanência em território americano configura atividade profissional remunerada, exigindo, portanto, o porte de um visto consular adequado para trabalho.

A determinação consta em nota conjunta emitida pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP, na sigla em inglês) e pelo Departamento de Segurança Interna (DHS), enviada originalmente ao jornal espanhol El País. No documento técnico, as agências federais detalham as restrições para quem ingressa no país sob o amparo de autorizações de turismo ou programas de isenção de vistos.

“Entrar nos Estados Unidos com o único propósito de criar conteúdo (como influenciador) e, assim, gerar renda a partir dos Estados Unidos enquanto estiver no país é considerado trabalho e exige o visto apropriado”, estabelece o texto normativo das autoridades federais.

O alerta reforça ainda que o recebimento de qualquer tipo de compensação financeira oriunda de fontes pagadoras baseadas nos Estados Unidos, durante o período de estadia do visitante, constitui uma violação direta das condições jurídicas de admissão migratória de viajantes e turistas.

A medida causou apreensão imediata em plataformas digitais e levantou debates sobre a regularidade fiscal e migratória de dezenas de influenciadores brasileiros deslocados para a América do Norte. Entre os nomes citados nas discussões virtuais está o de Virginia Fonseca, que realiza a cobertura dos bastidores do Mundial para o programa Caldeirão com Mion, da TV Globo.

Apesar do ruído provocado em torno de sua participação institucional, a situação jurídica de Virginia Fonseca difere da maior parte dos criadores de conteúdo do Brasil. A influenciadora é nascida em território americano e possui dupla cidadania legalizada, prerrogativa constitucional que a desobriga de portar vistos de negócios ou de turismo e anula o risco de sanções administrativas por exercício de atividade remunerada no país. A empresária não se manifestou publicamente sobre a nova cartilha de Washington.

Outro profissional do setor que comentou a endurecida na fiscalização foi o influenciador Jon Vlogs, também presente na cobertura do torneio esportivo. Em conteúdo audiovisual publicado em suas contas oficiais, ele minimizou o impacto prático da norma sobre o seu núcleo de trabalho e atribuiu o comunicado a uma estratégia de dissuasão do governo americano.

“Eu posso, e não podem deportar quem está junto comigo, porque sou eu que estou gravando. Eu sou americano. Não tem essa, eles só estão querendo assustar”, afirmou o criador de conteúdo, amparando-se também no fato de possuir a cidadania dos Estados Unidos para afastar riscos de repatriação compulsória.

Especialistas em direito internacional e imigração ponderam que, embora cidadãos americanos estejam imunes às regras de deportação, criadores de conteúdo estrangeiros que utilizam redes monetizadas sem a devida documentação laboral (como os vistos das categorias O ou P) ficam expostos a penalidades que incluem o cancelamento do visto de turismo, deportação imediata e impedimento de reentrada no país por até dez anos.

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