Recentes alterações do MDF-e e CIOT ampliam fiscalização eletrônica e pressionam operações do transporte de cargas

Imagem de Google Gemini

O transporte rodoviário de cargas vive, em 2026, uma nova fase de fiscalização eletrônica integrada. As recentes mudanças envolvendo o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e o Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) ampliaram significativamente o nível de controle automático sobre as operações do setor.

Na prática, o transporte rodoviário de cargas passa a operar sob um modelo de controle cada vez mais integrado, no qual informações fiscais, regulatórias e operacionais são cruzadas automaticamente pelos sistemas. Nesse ambiente, inconsistências podem gerar impedimentos documentais, autuações e outros impactos capazes de comprometer a realização da operação.

A principal transformação está relacionada ao CIOT. Com a Medida Provisória nº 1.343/2026 e as regulamentações posteriores da ANTT, a obrigatoriedade do código foi ampliada para praticamente todas as operações de transporte realizadas por terceiros e mediante remuneração, incluindo contratações entre embarcadores e empresas transportadoras, além das subcontratações entre transportadoras. Dessa forma, o CIOT passou a desempenhar papel estratégico no acompanhamento das viagens e na verificação do cumprimento da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.

Paralelamente, o setor também vem convivendo com mudanças recentes no MDF-e. Desde outubro de 2025, novas exigências ampliaram o conjunto de informações obrigatórias do documento e fortaleceram o monitoramento das operações pela ANTT. Com as regras atuais, operações que informem valores de frete inferiores aos pisos mínimos podem ter a geração do CIOT impedida pelos sistemas de validação, criando reflexos diretos sobre a regularidade documental do transporte.

Para complementar esse conjunto de mudanças, desde 1º de junho de 2026 passou a valer, no estado de São Paulo, a exigência de emissão de um MDF-e distinto para cada Unidade da Federação (UF) onde houver descarregamento da carga. A medida se soma às recentes alterações relacionadas ao CIOT e ao próprio MDF-e e evidencia uma transformação mais ampla no ambiente regulatório do transporte rodoviário de cargas.

Para a Federação das Empresas do Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), o cenário amplia a complexidade operacional das transportadoras, exigindo maior integração tecnológica, revisão de processos internos e reforço da governança documental. “O transporte já opera em um ambiente altamente regulado. O desafio é garantir equilíbrio entre fiscalização, segurança jurídica e viabilidade operacional para que as empresas consigam se adaptar sem comprometer produtividade e eficiência logística”, destaca o presidente da entidade, Carlos Panzan.

O cenário ganhou ainda mais relevância nos últimos dias após a própria ANTT divulgar que o novo sistema do CIOT registrou 534.908 operações entre os dias 24 e 29 de maio, poucos dias após a entrada em vigor das novas regras. Nesse período, segundo a agência, foram também foram registradas 469.883 operações declaradas, 53.038 encerradas e 11.932 canceladas, em um ambiente que ainda enfrentava relatos de instabilidades sistêmicas e dificuldades operacionais nos primeiros dias de implementação.

Segundo a FETCESP, embora o avanço da fiscalização eletrônica e da rastreabilidade seja importante para ampliar a formalização e o controle das operações, é fundamental que esse processo ocorra com estabilidade sistêmica, orientação técnica adequada e previsibilidade regulatória.

“O transporte rodoviário de cargas reconhece a importância da formalização, da rastreabilidade e do combate às irregularidades. Porém, é fundamental que esse processo venha acompanhado de estabilidade dos sistemas, orientação técnica adequada e condições viáveis de adaptação. Estamos falando de uma atividade essencial para o abastecimento do país, que não pode conviver com insegurança operacional ou risco de paralisações por falhas sistêmicas”, finaliza o presidente da FETCESP.

VER NA FONTE