Veículos chineses invadem o mercado brasileiro e já são o principal item na pauta exportadora do gigante asiático para o Brasil

Da Redação

Brasília – Pelo segundo mês consecutivo, os veículos automotivos de passageiros ocuparam no mês de maio o primeiro lugar no ranking dos principais produtos exportados pela China ao Brasil, graças a uma alta de 240,1% sobre a marca recorde registrada em abril. No mês passado, as importações totalizaram US$ 3,7 bilhões, correspondentes a 12,1% de todas as vendas chinesas para o Brasil. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Para se ter uma ideia da magnitude desses números e do impressionante avanço dos veículos de passageiros chineses no mercado brasileiro, vale destacar que em apenas cinco meses de 2026 as importações superaram o valor registrado em todo o ano de 2025, que somaram US$ 3,3 bilhões, correspondentes a apenas 4,6% de todo o volume de bens embarcados pela indústria chinesa para o mercado brasileiro.

Esses números incluem também as exportações de carros a combustão, que apesar de serem menos representativos, praticamente dobraram as vendas ao Brasil, numa prova de que o apetite chinês pelo mercado brasileiro não se restringe aos modelos eletrificados.

Brasil, um dos mercados mais promissores para os elétricos chineses

Outro dado relevante: com os números já registrados entre os meses de janeiro e maio, o Brasil passou do sétimo para o terceiro principal destino dos veículos chineses em todo o mundo, atrás apenas da Rússia e do Reino Unido, e à frente de países como a Alemanha, França e muitos outros.

Em relação aos carros eletrificados, o Brasil passou do quinto para o terceiro lugar, após Bélgica e Reino Unido. Entre os modelos a combustão, o Brasil subiu da décima-sexta posição para o sétimo lugar com a alta das importações no primeiro semestre deste ano. Os dados são da Alfândega chinesa.

Segundo Túlio Cariello, diretor de Conteúdo e Pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), esse aumento expressivo nas importações de veículos chineses deve ser visto como uma antecipação em relação ao que será o último aumento estabelecido pelo governo brasileiro no cronograma de aumento das taxas para importação de veículos elétricos ou híbridos. Essas alíquotas devem passar de 28% para 35% no mês de julho para os veículos híbridos e plug-in e 25% os modelos eletrificados.

Cariello destaca ainda que a China é, de longe, o principal fornecedor de carros elétricos ao Brasil, com uma participação de 97% no mercado nacional nos primeiros meses deste ano. No tocante aos híbridos plug-in, a China responde por 89% das importações brasileiras. No ano passado, os fabricantes chineses responderam por 74,1% das vendas de eletrificados no Brasil, lideradas pela BYD, que ficou com uma fatia de 50,4% do mercado nacional no segmento.

BYD avança com produção no Brasil

O aumento impressionante nas exportações é acompanhado pelo crescimento igualmente expressivo na produção pela BYD na fábrica instalada em Camaçari, na Bahia. Mês passado, a montadora registrou mais um recorde histórico no Brasil ao ultrapassar a marca de 21 mil veículos emplacados em um único mês, alcançando pela primeira vez a quarta posição entre as montadoras que mais veículos emplacaram no país, com 8,5% do market share no mercado automotivo nacional.

Segundo Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil e Head de Marketing e Comercial da BYD Auto, “em maio de 2023, a BYD vendeu 390 carros no país. Em apenas três anos, as vendas mensais da marca cresceram aproximadamente 5.500%, um aumento de quase 56 vezes e um salto de menos de 400 veículos para quase 22 mil modelos comercializados no último mês de maio”.

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