Em meio a conversas com o Irã, Trump critica bombardeio de Israel no Líbano/Foto: Reprodução
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (7) que o governo de Israel não realizou nenhuma coordenação prévia com Washington antes de deflagrar os bombardeios contra os subúrbios ao sul de Beirute, no Líbano. Em entrevista concedida à emissora americana Fox News, o mandatário republicano manifestou abertamente sua desaprovação à ofensiva israelense e advertiu que o subsequente ataque com mísseis lançado pelo Irã funciona como um obstáculo severo às tratativas diplomáticas secretas que a Casa Branca conduz com Teerã.
Apesar do acirramento da crise militar nas últimas horas, Trump sustentou que as negociações bilaterais entre o governo americano e as autoridades iranianas encontram-se em estágio avançado de maturação, projetando a assinatura de um tratado para os próximos dias, caso a escalada seja estancada.
“Isso certamente não ajuda nas negociações. Estamos muito perto. Eu diria que um acordo será assinado na segunda, terça ou quarta-feira da próxima semana. E agora isso acontece”, declarou o presidente à emissora, cobrando o retorno imediato da delegação persa aos comitês de entendimento. “Vocês lançaram seus mísseis, isso já basta. Voltem à mesa de negociações e façam um acordo.”
Ao avaliar as operações das forças de Tel Aviv em território libanês, o chefe do Executivo americano sublinhou seu descontentamento com a autonomia militar adotada pelo aliado histórico.
“Não estou nada satisfeito com isso”, sentenciou Trump.
De acordo com bastidores diplomáticos revelados pelo portal de notícias Axios, a estratégia imediata de Donald Trump consiste em intervir diretamente junto ao gabinete de crise israelense para frear uma contraofensiva de grande escala. Em declarações prestadas ao jornalista Barak Ravid, o presidente norte-americano sinalizou que contatará o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para exigir moderação e ponderar que o ciclo recente de agressões mútuas exauriu sua justificativa militar.
“Vou ligar para Bibi [Netanyahu] agora mesmo e dizer para ele não retaliar. Israel já teve seu ataque e o Irã já teve o seu. Não precisamos de outro”, argumentou o republicano.
A leitura técnica apresentada pela Casa Branca ao portal Axios indica que a salva de mísseis balísticos disparada por Teerã não logrou provocar danos estruturais ou humanos significativos em solo israelense. O argumento será utilizado por Trump para blindar o pacto pretendido com o Irã.
“Estamos muito perto de um acordo final com o Irã. Será um bom acordo. Não quero que ele fracasse por causa do que está acontecendo agora”, reforçou.
O novo pico de instabilidade geopolítica no Oriente Médio estruturou-se a partir dos severos bombardeios aéreos promovidos por caças israelenses contra a periferia sul de Beirute, perímetro geopolítico fortificado e considerado um dos principais redutos operacionais do Hezbollah —milícia xiita patrocinada diretamente pelo regime dos aiatolás. Como resposta imediata à incursão, o comando militar do Irã ordenou o lançamento de múltiplas ondas de mísseis em direção ao território de Israel.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã classificou o bombardeio israelense no Líbano como uma violação grave de soberania regional e estipulou que o ataque com projéteis balísticos operou como uma advertência tática. O braço armado iraniano ameaçou ampliar de forma exponencial a escala das incursões caso o exército israelense insista em novas missões punitivas.
Por outro lado, as Forças de Defesa de Israel (FDI) informaram que a ampla maioria dos mísseis iranianos foi interceptada com sucesso pelos sistemas de defesa antiaérea, acusando Teerã de cometer um “grave erro” estratégico. O alto-comando de Israel declarou que pretende manter o ritmo da campanha militar contra a estrutura do Hezbollah, expandindo as incursões terrestres e aéreas no Líbano.
A espiral de violência produziu reflexos imediatos na malha aeroportuária da região. O governo do Irã determinou restrições severas em partes de seu espaço aéreo soberano, medida que foi replicada pelas administrações do Iraque e da Síria, que anunciaram suspensões ou limitações temporárias de voos comerciais internacionais. O choque militar eleva ao limite a pressão sobre o acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em abril e ameaça desintegrar os canais de interlocução mantidos por Washington para conter a eclosão de uma guerra regional aberta.