Acre mantém alta intenção de consumo das famílias, impulsionada por emprego e renda


A intenção de consumo das famílias acreanas segue em nível considerado positivo e acima da média de equilíbrio, segundo análise da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Acre (Fecomércio-AC), baseada na pesquisa Intenção de Consumo das Famílias (ICF), realizada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Nos últimos 12 meses, o indicador de intenção de consumo no Acre manteve-se estável, variando entre 113 e 116 pontos. O resultado permanece acima da marca de 100 pontos, considerada a referência para indicar confiança dos consumidores e disposição para consumir.

O levantamento também aponta um cenário favorável para a aquisição de bens duráveis, como eletrodomésticos, móveis e equipamentos. O indicador relacionado a esse segmento registrou crescimento de 3,86% em comparação com janeiro deste ano.

Segundo a Fecomércio, a tendência acompanha o comportamento observado em nível nacional, impulsionado por uma retração inflacionária específica para os bens duráveis, embora ainda existam incertezas sobre o comportamento do mercado nos próximos meses.

Emprego e perspectiva profissional sustentam confiança

De acordo com a análise, a intenção de consumo das famílias está diretamente relacionada à percepção positiva dos acreanos sobre o mercado de trabalho.

Em maio, o grau de satisfação com o emprego atual alcançou 128,8 pontos, índice considerado elevado e significativamente superior ao patamar de referência de 100 pontos.

Outro indicador que apresentou destaque foi a perspectiva profissional. O índice atingiu 147,1 pontos em maio, o maior resultado registrado nos últimos 12 meses.

Além disso, a avaliação da renda mensal também segue positiva, demonstrando que os consumidores estão satisfeitos com os rendimentos que recebem atualmente.

Juros e endividamento ainda preocupam

Apesar do cenário favorável, fatores econômicos continuam limitando um crescimento mais expressivo do consumo.

Segundo o assessor institucional da Fecomércio-AC, Egídio Garó, o elevado nível de endividamento das famílias e o aumento das taxas de juros decorrentes da alta da Selic ainda influenciam o comportamento dos consumidores.

“A junção desses itens justifica a intenção de consumo das famílias acreanas no mês de maio. Contudo, o alto índice de endividamento, a alta da Selic na tentativa de frear os processos inflacionários e a consequente alta nas taxas de juros arrefecem a vontade das famílias ao consumo. Por outro lado, a satisfação com o emprego atual, a renda mensal e a perspectiva profissional podem sofrer alteração nos próximos períodos tendo em vista o volume de empregos gerados no País no mês de abril, o que diminui a circulação de moeda corrente”, explicou.



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